- Governo de Goiás iniciou revisão do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental de Pouso Alto para discutir a mineração na Chapada dos Veadeiros, buscando compatibilizar conservação e atividade mineral.
- Atualmente, há mais de 130 projetos ativos de pesquisa e exploração de minerais estratégicos na região, com foco em minerais críticos como terras raras, cassiterita, manganês e níquel.
- Um levantamento da Semad aponta 496 processos minerários registrados na Agência Nacional de Mineração dentro da APA, somando 527 mil hectares que cercam o parque.
- A proposta envolve substituir a lógica de proteção rígida por um modelo de “compatibilização” entre mineração e conservação ambiental, com grupo de trabalho já formado pelo governo.
- O tema é discutido em reuniões do Conselho Consultivo da APA de Pouso Alto, com etapas de participação comunitária, devolutivas aos municípios e considerações sobre impactos em cidades como Alto Paraíso, Cavalcanti e São Jorge.
O Governo de Goiás iniciou a revisão do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto com o objetivo de discutir a possibilidade de mineração na Chapada dos Veadeiros. A proposta visa alinhar atividades de mineração com a conservação ambiental na região, que abriga o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e atrai cerca de 70 mil visitantes por ano.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a revisão não equivale a um desembarque da mineração, mas sim a uma discussão ampla com as comunidades locais para avaliar impactos e perspectivas econômicas. A gestão atual diz que não busca flexibilizar, e sim debater o tema com a participação da população.
Dados obtidos pela reportagem apontam que há mais de 130 projetos ativos de pesquisa e exploração de minerais estratégicos próximos à Chapada dos Veadeiros, dentro da APA de Pouso Alto. A área envolve centenas de milhares de hectares em território que também abriga cidades como Alto Paraíso, Cavalcante e o distrito de São Jorge.
Contexto
O governo alega que o estudo em curso envolve a possibilidade de compatibilizar mineração e conservação, ajustando o plano de manejo da APA de 2016, com revisões previstas a cada cinco anos. Um grupo de trabalho da Semad tem discutido alterações legais que permitam a exploração sob novas regras de uso do território.
Ao menos 131 processos minerários estão ligados a minerais críticos na região, incluindo terras raras, cassiterita, manganês e níquel. Esses projetos somam mais de 184 mil hectares dentro da área da APA, representando parte significativa do total estudado.
Reações e espaço público
Entre as ações de campo, houve nos dias 8 e 9 de agosto reuniões do Conselho Consultivo da APA de Pouso Alto, em Colinas do Sul, com foco nas contribuições da comunidade para a revisão do plano de manejo. As atividades são realizadas em três etapas, priorizando oficinas com moradores e consultas municipais.
O governo do estado sustenta que as discussões ocorrem com diálogo com a população e com base em verificação jurídica sobre a possibilidade de exploração dentro da APA, conforme normas vigentes. A oposição a mudanças aponta riscos ambientais e legais, destacando possíveis impactos na biodiversidade local.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a alteração no plano de manejo pode redefinir regras de uso da área protegida, com impactos potenciais sobre comunidades locais, turismo e o equilíbrio ecológico da Chapada dos Veadeiros. A ideia é manter a proteção ambiental ao mesmo tempo em que se avalia a viabilidade econômica da mineração.
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