- Crimes de maio de 2006 em São Paulo somaram mais de 300 ataques e prisão de civis e agentes, em um período de dez dias, deixando 564 mortos (505 civis e 59 agentes).
- Houve 32 denúncias por assassinato, resultando em ao menos 11 sentenças condenatórias contra 15 réus; muitos casos permanecem sem desfecho.
- Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) foi denunciado pela morte de um soldado da PM, de um bombeiro e de um servidor do DHPP; outros crimes tiveram desfechos variados, com absolvições ou casos sem conclusão.
- A Ouvidoria de Polícia aponta participação de policias em ao menos oitenta mortes; estudo conjunto de Harvard e Justiça Global aponta indícios de atuação de policiais em setenta e um casos.
- A Chacina do Parque Bristol continua sem autoria definida; investigação foi federalizada em 2022, com ações retomadas apenas em 2025, e há ações civis públicas em andamento para indenizações e desculpas oficiais.
Oitingut: Maior parte dos crimes de maio de 2006, quando o PCC atuou em São Paulo, permanece sem respostas definitivas 20 anos depois. A chuva de ataques atingiu delegacias, prédios públicos, bancos, escolas e ônibus, entre 12 e 20 de maio.
Os números oficiais indicam 564 mortes entre civis e agentes. A partir de dados do MP-SP, 32 denúncias foram apresentadas por assassinato, resultando em 11 condenações para 15 réus. Ainda há centenas de vítimas sem desfecho ou com desconhecido como investigação.
O governo estadual afirma que não houve omissão ou inércia e que houve apuração de todas as ocorrências, com acompanhamento do Ministério Público e supervisão do Judiciário. Segundo o texto, as investigações foram conduzidas de forma regular.
A Justiça identificou suspeitos em parte dos casos, com condenações relevantes. Entre eles, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi denunciado pela morte de três pessoas ligadas à polícia e ao DHPP, e recebeu condenação de mais de 50 anos de prisão. Outros acusados sofreram absolvições.
A ouvidoria da Polícia aponta denúncias de participação de policiais em ao menos 80 mortes civis durante o período. Estudos independentes sugerem indícios de atuação de grupos de extermínio, com variação na clareza das investigações conforme a identidade das vítimas.
Chacina do Parque Bristol
Neste caso, cinco amigos foram atacados na região sul de São Paulo na noite de 14 de maio, Dia das Mães. Um carro voltou com criminosos armados e disparos foram efetuados; uma das vítimas foi morta com oito tiros. Um sobrevivente foi assassinado meses depois.
Em 2022, a investigação desse caso foi federalizada pelo STJ, após requerimento da PGR. O inquérito ficou parado por quase três anos; apenas em 2025 houve novo despacho para abertura de investigação e envio dos autos à Polícia Federal.
Três denúncias ligadas aos crimes de maio já chegaram à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Promotores defendem que a violação de direitos humanos não prescreve, especialmente em casos de desaparecimentos e violência estatal. O tema aguarda julgamento no STJ.
Relatos de vítimas e familiares seguem em busca de reconhecimento. Entre relatos registrados, há casos de exumação de corpos e de denúncias de violência policial envolvendo jovens e trabalhadores. Organizações de mães das vítimas defendem que a punição seria essencial para fortalecer a democracia.
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