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Ministro da Saúde aponta tentativa de politização do debate técnico sobre Ypê

Ministro da Saúde afirma que vídeos transformam debate técnico da suspensão da Ypê em disputa política; Anvisa analisa recurso da empresa

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  • O ministro da Saúde afirmou que vídeos irresponsáveis tentam transformar a suspensão de lotes da Ypê em disputa política, sob fiscalização da Anvisa.
  • A Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes finais 1 fabricados em Amparo, interior de São Paulo, e suspendeu a produção.
  • Apoiadores de Jair Bolsonaro fizeram campanha a favor da marca nas redes, enquanto o ministro ressaltou que a Anvisa não tem lado político e está ao lado da saúde das famílias.
  • A Ypê apresentou recurso contra a interdição e conseguiu efeito suspensivo para a proibição de fabricar e comercializar os produtos; a diretoria da Anvisa avaliará o recurso na próxima quarta-feira.
  • A inspeção realizada em Amparo revelou equipamentos com marcas de corrosão; a Ypê disse não haver contaminação nos produtos e que possui controle de qualidade para descartar itens fora do padrão.

O Ministério da Saúde afirma que vídeos nas redes sociais buscam transformar a suspensão de lotes da Ypê em uma disputa política. A declaração partiu do ministro Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (11). A ação envolve a Anvisa e a empresa Ypê, com foco na saúde pública.

A Anvisa determinou, no dia 7, o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes final 1 fabricados em Amparo, interior de São Paulo. A agência também suspendeu a produção desses itens, para avaliação de risco sanitário.

Apoios de Jair Bolsonaro aceleraram uma campanha online a favor da marca, com relatos de perseguição política. Michelle Bolsonaro divulgou uma foto com o produto; o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Nogueira Araújo, também defendeu a Ypê. Padilha ressaltou que a agência não atua com viés partidário.

Contexto técnico

Segundo o ministro, a interdição considerou análises do Vigilância Sanitária paulista, governo estadual aliado de Bolsonaro. A diretoria da Anvisa afirma que o cargo é técnico e não político, destacando que o diretor responsável foi indicado durante o governo anterior.

A Ypê recorreu da interdição e conseguiu efeito suspensivo na proibição de fabricar e comercializar parte dos produtos. Uma avaliação da diretoria colegiada da Anvisa sobre o recurso está prevista para quarta-feira.

Imagens de uma inspeção sanitária na fábrica de Amparo, feitas no fim de abril, mostraram equipamentos com marcas de corrosão. O material foi veiculado pelo Fantástico. A empresa afirmou que não houve detecção de contaminação e que possui controles de qualidade para isolar itens inadequados.

A Ypê também informou que as fotos divulgadas referem-se a áreas sem contato direto com os produtos e que há um plano de melhorias na fábrica, com ações já em andamento. A inspeção ocorreu em quatro dias, envolvendo técnicos da Anvisa, da Vigilância Sanitária de São Paulo e de Amparo.

A Agência ressaltou que a decisão de suspensão partiu de uma avaliação de risco sanitário, com foco na proteção à saúde pública. Padilha enfatizou a orientação de não consumir detergentes de nenhuma marca enquanto o processo não for esclarecido.

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