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Onde estão hoje os nomes do governo de SP e do PCC na onda de ataques de 2006

Crise de maio de 2006 expôs falhas da segurança paulista, envolvendo governadores, secretários e a liderança do PCC

O então governador Cláudio Lembo acompanhado da cúpula da segurança pública estadual durante entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes, no dia 13 de maio de 2006
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  • Cláudio Lembo era governador de São Paulo no auge dos ataques do PCC em 2006; ele disse que a polícia já conhecia os planos há cerca de vinte dias e, no auge da crise, afirmou que a situação estava sob controle; em 2016 afirmou que renunciaria no primeiro dia se voltasse ao cargo. Morreu em 19 de março de 2025, aos 90 anos.
  • Nagashi Furukawa, secretário de Administração Penitenciária desde 2000, autorizou a transferência de setecentos e sessenta e cinco presos para a penitenciária de Presidente Venceslau; pediu demissão antes do fim de maio e hoje é advogado em Bragança Paulista.
  • Saulo de Castro Abreu Filho, à frente da Secretaria de Segurança Pública desde 2002, tinha desentendimentos públicos com Furukawa; deixou a pasta ao fim da gestão Lembo, retornando ao governo entre 2011 e 2018 em outras pastas; hoje atua como consultor de relações governamentais.
  • Elizeu Eclair, então comandante-geral da Polícia Militar, manteve a posição de que as ações ocorriam dentro da lei e que não havia provas de inocência dos mortos; morreu em julho de 2021 (câncer).
  • Marco Antônio Desgualdo, delegado-geral da Polícia Civil em 2006, reconheceu indícios de atuação fora da lei por parte de policiais durante a resposta aos ataques; hoje está aposentado.

O auge da onda de ataques do PCC em São Paulo em 2006 mobilizou nomes do governo estadual e figuras da facção. Cláudio Lembo, então governador em início de mandato, afirmou à época que a polícia já tinha ciência dos planos de ataques há cerca de 20 dias. O governo dizia que a situação estava sob controle, mesmo diante de atentados a agências bancárias e ataques a fóruns da Justiça. Ao final do mandato, Lembo reconheceu falhas na área de segurança; em 2016, afirmou que, se voltasse ao cargo, renunciaria no primeiro dia. Lembo morreu em 19 de março de 2025, aos 90 anos.

Perfil dos gestores de Segurança

Nagashi Furukawa integrou o governo como secretário de Administração Penitenciária a partir de 2000, no segundo mandato de Mário Covas. Ele transferiu 765 presos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau; pediu demissão antes do fim de maio de 2006 e foi substituído por Antonio Ferreira Pinto. Em 2015, Furukawa publicou relato sobre os bastidores da crise no site Jota e hoje atua como advogado em Bragança Paulista.

Saulo de Castro Abreu Filho ocupou a Secretaria de Segurança Pública desde 2002. Desentendimentos com Furukawa eram públicos. Ao deixar a pasta, durante a gestão Lembo, ele retornou ao governo entre 2011 e 2018, ocupando cargos de Logística e Transportes, Casa Civil e Governo. Hoje atua como consultor em relações governamentais; não respondeu a pedidos de entrevista.

Elizeu Eclair era comandante-geral da Polícia Militar em maio de 2006. Na época, sustentava que as ações estavam dentro da lei e minimizava possíveis excessos, afirmando que mortes ocorreram em contra-ataques. Eclair faleceu em julho de 2021, vítima de câncer.

Marco Antônio Desgualdo foi delegado-geral da Polícia Civil em 2006 e declarou à imprensa indícios de atuação fora da lei por parte de policiais durante a crise. Hoje está aposentado como delegado de classe especial; não respondeu a pedidos de entrevista.

Liderança do PCC no período de crise

Marcola, considerado líder da facção, foi denunciado por ao menos três assassinatos durante a onda de maio de 2006. Ele está preso na Penitenciária Federal de Brasília e nega a liderança total da organização.

Julinho Carambola, braço direito de Marcola, era apontado pela PF e pela PC como membro da cúpula da Sintonia Final, a alta direção do PCC. Transferido para a penitenciária de Presidente Venceslau na época, ele permanece detido na Penitenciária Federal de Porto Velho desde 2023.

Eduardo Lapa dos Santos, o Lapa, integrou o grupo levado ao Deic na noite de 11 de maio. Anos depois recebeu benefícios de progressão de pena, mesmo com avaliação de preso considerado perigoso. Hoje não coopera com entrevistas.

Gegê do Mangue, Rogério Jeremias de Simone, esteve ao lado de Marcola entre os presos transferidos ao Deic. Foi morto em 2018 em uma emboscada planejada pela própria facção. Ele já integrava a liderança na época dos ataques.

Macarrão, Orlando Mota Júnior, foi apontado como principal interlocutor do PCC junto ao governo estadual para negociar o fim das rebeliões. Foi transferido na mesma operação de 11 de maio. Posteriormente, teve desentendimentos com integrantes da cúpula e acabou delatando responsáveis pelo assassinato de um agente penitenciário; está preso na Penitenciária de Tupi Paulista.

Desdobramentos e legado institucional

Entre 2011 e 2018, diversos ex-funcionários da segurança pública ocuparam outras funções dentro do governo paulista, mantendo-se atuantes na área pública e jurídica. A crise de 2006 é estudada como marco para debates sobre atuação policial, governança prisional e integração entre segurança pública e justiça. Hoje, alguns ex-secretários atuam como consultores ou advogados, mantendo sob sigilo experiências de bastidores.

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