- 22% dos brasileiros já receberam ofertas em troca do voto durante períodos eleitorais, segundo a Ipsos-Ipec.
- Entre 25 e 44 anos, 26% afirmaram já ter sido abordados com propostas de compra de voto.
- Região Nordeste é a mais impactada, com 32% relatando já ter recebido alguma oferta; Sudeste, 18%; Sul, 13%.
- Principais práticas associadas: oferta de dinheiro (76%), promessa de emprego (53%), distribuição de cestas básicas (43%) e doação de materiais de construção (42%).
- Ainda sobre o enfrentamento do tema: 39% dizem que a compra de votos ocorre sempre na cidade/bairro; entre quem já recebeu ofertas, esse índice sobe para 64%; 62% não sabem onde denunciar e 52% não se sentem seguros para denunciar.
A Ipsos-Ipsos Ipec apontou que 22% dos brasileiros já receberam ofertas em troca do voto durante períodos eleitorais. O levantamento foi encomendado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e ouviu 2 mil pessoas em 131 municípios entre 4 e 8 de dezembro de 2025.
A pesquisa indica que a prática é mais comum entre jovens e adultos de 25 a 44 anos, com 26% relatando já ter sido abordados. Região Nordeste lidera as ocorrências, com 32% dos entrevistados. Sudeste registra 18% e Sul, 13%.
Entre os cargos, a maioria das denúncias envolve vereadores (59%) e prefeitos (43%). Em menor escala aparecem deputados (16%), governadores (10%), presidente (7%) e senador (5%).
A percepção de recorrência é alta: 39% dos entrevistados dizem que a compra de votos ocorre sempre em suas cidades ou bairros. Entre os que já receberam ofertas, esse índice sobe para 64%.
Apesar de 96% reconhecerem a ilicitude da prática, há entraves para o combate. Cerca de 62% não sabem onde denunciar e 52% não se sentem seguros para fazê-lo. O desconhecimento é maior entre menor renda, jovens de 16 a 24 anos, com ensino fundamental e entre mulheres.
Entre as razões da insegurança, há maior sentimento de vulnerabilidade entre as classes D e E e pessoas com menor escolaridade. Entre as mulheres, 56% não se sentem seguras para denunciar, frente a 49% entre os homens.
Segundo Patricia Pavanelli, diretora de Opinião Pública da Ipsos-Ipec, os dados mostraram reconhecimento da ilegalidade, porém obstáculos persistem para o combate à prática.
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