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Política no Rio envolve tráfico e relacionamentos, cenário turbulento

Em sete meses, três deputados da tropa bolsonarista são presos; governador interino avança na limpeza da máquina e mira setores críticos

Alvaro Costa e Silva
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  • Em sete meses, três deputados da tropa bolsonarista no Rio foram presos, incluindo o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, suspeito pela Polícia Federal de vazar operação contra o Comando Vermelho.
  • Thiago Rangel, deputado estadual do Avante, é apontado pela Polícia Federal por desviar verbas da Secretaria de Educação e indicar pessoas ligadas a um traficante a cargos na pasta; patrimônio do deputado saltou de R$ 224 mil em 2020 para R$ 3 milhões em 2023.
  • Segundo a PF, Rangel liderava uma rede de postos de gasolina usada para lavar propina e integrava uma quadrilha que ameaçava adversários na região de Campos de Goytacazes.
  • A operação Unha e Carne mira o setor da saúde, com foco em Luizinho, deputado federal ligado ao senador Ciro Nogueira; há expectativa de ampliar investigações para esse setor.
  • O governador interino Ricardo Couto de Castro segue promovendo mudanças na máquina, buscando autonomia da perícia criminal e independência das investigações em casos de letalidade policial; deputados ameaçam divulgar lista de amantes de desembargadores que recebem sem trabalhar na Alerj.

Em sete meses, três parlamentares do Rio foram presos. Entre eles está o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acusado pela Polícia Federal de vazar uma operação contra o Comando Vermelho. O alvo era o deputado TH Joias. A atual bola da vez envolve Thiago Rangel, citado em investigações por desvio de verbas da Educação e por indicar pessoas ligadas a um traficante para cargos na pasta.

Segundo a PF, Rangel atua como operador de lavagem de dinheiro de propina por meio de uma rede de postos de combustível. O caso também o aponta como líder de uma quadrilha que intimidava rivais na região de Campos dos Goytacazes. O patrimônio do deputado saltou de R$ 224 mil em 2020 para cerca de R$ 3 milhões em 2023, já como parlamentar.

Há quem descreva o cenário como um embate entre a tropa bolsonarista e o aparato público. O grupo, associado a atos de aparelhamento institucional desde 2019, aparece envolto a partir de denúncias sobre relacionamentos com organizações criminosas. A PF já vinculou operações a esse grupo, com desdobramentos em diferentes esferas.

Operações e prisões

A operação Unha e Carne está ampliando o foco para o setor de saúde. A investigação já mira o deputado federal Doutor Luizinho, aliado ao senador Ciro Nogueira, que tentou emplacar Luizinho como ministro da Saúde. A apuração busca checar irregularidades em contratos e nomeações.

Medidas administrativas no governo estadual

O governador interino, desembargador Ricardo Couto de Castro, continua a implementação de mudanças administrativas. Entre as medidas estão a autonomia da perícia criminal em Segurança, com o objetivo de assegurar investigações independentes de letalidade policial, mesmo diante de pressões políticas.

Desdobramentos e repercussões

A exoneração de mais de mil funcionários fantasmas aumentou a tensão nos bastidores. Deputados estaduais sinalizam divulgar uma lista de amantes de desembargadores que também recebem sem trabalhar na Alerj, elevando o clima de desconfiança e insegurança institucional.

O cenário no Rio permanece marcado por ações de limpeza no governo e por investigações que atingem lideranças políticas. A continuidade das apurações pode trazer novos desdobramentos nas próximas semanas, com impactos diretos sobre a composição e a governabilidade local.

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