- 22% dos brasileiros já receberam oferta de compra de votos, com 32% no Nordeste, 18% no Sudeste e 13% no Sul.
- Cargos municipais concentram as ofertas: 59% tinham relação com vereador e 43% com prefeito; deputados, governadores, presidentes e senadores aparecem em menor escala.
- 39% dos entrevistados percebem a prática como frequente sempre que há eleição no bairro ou município; 17% dizem que é frequente e 13% que ocorre às vezes.
- Formas de compra de votos identificadas: dinheiro (76%), promessa de emprego (53%), distribuição de cestas básicas (43%), entrega de material de construção (42%) e pagamento de contas (37%).
- Barreiras para denúncias: 62% não sabem onde denunciar; 52% não se sentem seguros para reportar; 96% sabem que compra de votos é crime; denúncias podem ser feitas pelo Sistema Pardal, delegacias, promotorias ou canais de ouvidoria.
Dois a cada dez brasileiros afirmam ter recebido propostas de compra de voto durante períodos eleitorais, segundo a Ipsos-Ipec. O levantamento, encomendado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, foi divulgado nesta segunda-feira (11 mai 2026). A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em 131 cidades.
A maioria dos relatos ocorre na região Nordeste, onde 32% dos entrevistados dizem ter sido abordados com propostas de voto. No Sudeste, o índice é de 18% e, no Sul, 13%. Entre os cargos citados, a maior parte envolve disputas municipais.
Cargos municipais concentram golpes
Entre os entrevistados que relataram oferecer ou receber propostas, 59% disseram que eram ligadas a vereadores. Em seguida aparecem prefeitos, citados por 43%. Deputados, governadores, presidentes e senadores aparecem com menor frequência.
A percepção sobre a prática também é elevada: 39% veem a compra de votos como algo que acontece sempre nas eleições locais, 17% a veem como frequente e 13% como ocasional. A divulgação do crime ainda é baixa.
Formas de compra de votos e medo de denunciar
Ofertas diretas de dinheiro aparecem como exemplo apontado por 76% dos participantes. Promessas de emprego aparecem em 53%, seguidas de cestas básicas (43%), material de construção (42%) e pagamento de contas (37%).
Mais da metade dos brasileiros não sabe onde denunciar casos suspeitos, segundo a pesquisa. Outros 52% não se sentem seguros para comunicar o crime às autoridades. O desconhecimento é maior entre renda mais baixa, jovens de 16 a 24 anos e quem tem ensino fundamental.
Como denunciar e contexto legal
Apesar disso, 96% dos entrevistados reconhecem que compra de votos é crime. A legislação eleitoral prevê pena de até quatro anos de prisão e multa para quem oferece ou recebe vantagens em troca do voto.
Denúncias podem ser feitas pelo Sistema Pardal, utilizado pela Justiça Eleitoral e pelo Ministério Público. Também é possível registrar ocorrências em delegacias, promotorias ou por canais digitais de ouvidoria.
Metodologia e alcance
O levantamento foi feito entre 4 e 8 de dezembro de 2025, com entrevistas presenciais em domicílios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. A amostra considerou dados do Censo 2022 e da Pnad Contínua 2023.
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