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Comissão analisa suposto assassinato de JK pela ditadura

Comissão aponta que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura, com planejamento de execução e possível retificação da certidão de óbito

Certidãod e óbito do ex-presidente pode ser retificada após nova conclusão da Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
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  • A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado, descartando a versão de acidente de automóvel.
  • O relatório, com cerca de cinco mil páginas, aponta que o Opala dirigia por Kubitschek na Rodovia Presidente Dutra foi planejado e executado por agentes da ditadura.
  • Caso aprovado, a próxima etapa seria a retificação da certidão de óbito do ex-presidente, seguindo exemplos de outras figuras cujas mortes foram reconhecidas como execuções de Estado.
  • O acidente ocorreu em 22 de agosto de 1976, no Km 165 da Rodovia Presidente Dutra, quando o Opala colidiu com uma carreta após desviar da contramão; o motorista também morreu.
  • O laudo do perito Sergio Ejzenberg conclui que a participação do ônibus envolvido foi excluída e que as provas sobre sabotagem foram prejudicadas pelo desmonte do veículo.

A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado, e não vítima de um acidente de carro como inicialmente registrado. A conclusão integra um relatório com cerca de 5 mil páginas, produzido na expectativa do cinquentenário da morte, em 22 de agosto de 1976.

O documento, ainda sujeito à aprovação em reunião da CEMDP, aponta que o óbito, ocorrido na Rodovia Presidente Dutra, pode ter sido planejado por agentes da ditadura instalada após o golpe de 1964. A proposta é de retificar a certidão de óbito, como ocorreu com outras figuras históricas nos últimos anos.

Kubitschek, presidente entre 1956 e 1961, já enfrentou cassação de direitos políticos e exílio durante o regime militar. Hoje, a hipótese de assassinato é considerada relevante por historiadores, que destacam o fato de ele não integrar o espectro de atuação de uma esquerda radical.

Contexto histórico e relevância

O relatório descreve Kubitschek como uma figura popular, cujo retorno à política poderia representar ameaça à ditadura. A análise sustenta que sua atuação, ainda que controversa, o colocava entre potenciais oponentes ao regime.

O acidente de 1976 envolve o Opala dirigido pelo motorista Geraldo Ribeiro, que teria morrido junto com Kubitschek. Investigações anteriores mantinham a versão de acidente de trânsito, com reavaliações pontuais ao longo dos anos.

Desdobramentos jurídicos e avaliação de especialistas

Especialistas consultados destacam que, se o relatório for aprovado, pode haver mudanças na narrativa oficial e em procedimentos administrativos. A expectativa é reabertura de arquivos e possíveis reparações, além de ampliar debates sobre memória histórica.

Entre juristas, há consenso de que a violência estatal contra opositores pode exigir inversão do ônus da prova em casos de graves violações, sobretudo quando provas foram destruídas ou ocultadas pelo Estado. A comissão ressalta a importância do diálogo com famílias de vítimas.

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