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Eleitores temem ser hostilizados por motivos políticos

Seis em cada dez temem agressão por motivos políticos, levando à autocensura e a mudanças de hábitos eleitorais antes das eleições de outubro

Petista e bolsonarista se estranham na campanha de 2022. Pesquisa detectou que tensão política continua tão alta quanto quatro anos atrás - (crédito: Miguel Schincariol/AFP)
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  • Seis em cada dez brasileiros dizem temer agressão física por motivações políticas, conforme a pesquisa Medo do Crime e Eleições 2026; o índice caiu de 68% em 2022.
  • Entre 2022 e 2026, 2,2% dos entrevistados relataram violência política nos últimos 12 meses, levantando o total de cerca de 3,6 milhões de pessoas.
  • O medo é maior entre mulheres (65%) e entre as classes D/E (64,2%), com influência de facções criminosas no comportamento eleitoral e social.
  • Nove em cada dez brasileiros — 96,2% — temem ao menos uma forma de violência; 57% mudaram hábitos, como não portar celular em público por medo de roubo.
  • O governo anunciou um plano de 11 bilhões de reais para combater o crime organizado, com divisão entre a União e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e foco em asfixia financeira, prisional e controle de territórios.

Seis em cada 10 brasileiros dizem temer agressão física por motivos políticos, aponta pesquisa divulgada nesta quarta. O estudo Medo do Crime e Eleições 2026, feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, analisa o clima antes das eleições de outubro.

A sondagem aponta 59,6% de entrevistados com esse receio, caindo de 68% em 2022. O Fórum atribui essa queda a uma acomodação do medo, embora o cenário político permaneça tenso desde a disputa de 2022, marcada por episódios de violência e desconfiança sobre o processo eleitoral.

Entre as mulheres, o índice é 65%, e entre os homens, 53%. As classes D e E apresentam 64,2% de temor, seguidas por C (58,9%) e A/B (54,9%). Dados ajudam a entender a percepção de insegurança no voto.

Crime organizado

O estudo mostra ainda que 77% classificam o crime organizado como problema nacional. Cerca de 68,7 milhões de pessoas com 16 anos ou mais afirmaram morar em áreas com facções ou milícias, e 59,5% evitam falar de política por medo de represálias.

Segundo a divulgação, o crime organizado atua ao induzir silêncio, autocensura e restrição de circulação. A pesquisa destaca que a insegurança afeta a vida cotidiana e o debate eleitoral de 2026 passa a exigir respostas que vão além de confrontos.

Mais dados mostram que 96,2% da população teme ao menos uma situação de violência. Entre os medos mais comuns estão golpes pela internet (83,2%), roubos com arma (82,3%) e morte em assaltos (80,7%).

A pesquisa, com 2.004 entrevistas presenciais em 137 municípios, aponta que 57% mudaram comportamentos por medo, e 33,5% deixaram de levar celular ao sair, com 45,2% nos grandes centros.

Entre mulheres, o medo é maior em todas as categorias, especialmente em agressão sexual (82,6%). Pessoas negras temem especialmente violência letal, com 80,3% temendo bala perdida e 77,4% assassinato.

US$ 11 bilhões para a segurança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta hoje o plano contra o crime organizado. Com eleições no horizonte, o governo anuncia investimentos de R$ 11 bilhões na segurança pública, para enfraquecer facções por vias financeiras e logísticas.

O programa será estruturado em cinco eixos: asfixia financeira, controle do sistema prisional, combate ao tráfico de armas, recuperação de territórios e redução da impunidade. O montante inclui R$ 1 bilhão da União e R$ 10 bilhões via BNDES para estados e DF.

Especialistas acompanham a iniciativa como resposta a críticas sobre segurança. Em 2024 e 2025, o tema já foi usado por adversários para questionar a gestão governamental e influenciar o pleito de 2026.

O Planalto informou que o plano requer adesão de estados e DF para acesso aos recursos. O anúncio ocorre após a cooperação com os EUA contra o crime organizado, firmado em 10 de abril, para evitar que o PCC e o CV sejam enquadrados como terroristas.

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