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Empresa ligada aos filhos de Trump solicita US$ 400 milhões ao governo dos EUA

Pedido de US$ 400 milhões ao Escritório de Capital Estratégico mira mina de tungstênio no Cazaquistão, gerando dúvidas sobre conflitos de interesse entre a família Trump e políticas dos EUA

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  • Uma empresa ligada aos filhos do presidente dos EUA, Cove Kaz Capital, pediu ao governo americano mais US$ 400 milhões para desenvolver uma mina de tungstênio no Cazaquistão.
  • O pedido foi feito ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Defesa, órgão que apoia cadeias de suprimento consideradas estratégicas para a defesa.
  • A Cove Kaz já havia recebido cartas de intenção não vinculantes para até US$ 1,6 bilhão de apoio de duas agências federais: o Export-Import Bank e a Development Finance Corporation.
  • A Cove Kaz controla 70% dos projetos Northern Katpar e Upper Kairakty, no centro do Cazaquistão, onde o tungstênio é estratégico para indústrias militar, energética e de manufatura.
  • A controvérsia envolve a relação com Donald Trump Jr. e Eric Trump, que declararam ser investidores passivos; a imprensa aponta possíveis conflitos entre negócios da família e políticas de minerais estratégicos dos EUA.

Uma empresa ligada aos filhos do presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao governo americano mais US$ 400 milhões para desenvolver uma mina de tungstênio no Cazaquistão. O pedido foi feito ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Defesa, segundo o Financial Times.

O grupo Cove Kaz Capital já havia obtido cartas de intenção não vinculantes que preveem até US$ 1,6 bilhão em apoio de duas agências federais: Export-Import Bank e Development Finance Corporation. A operação envolve minas no centro do Cazaquistão.

A Cove Kaz controla 70% dos projetos Northern Katpar e Upper Kairakty, cuja produção é estratégica para setores industrial, tecnológico e militar pela relevância do tungstênio na fabricação de ferramentas, perfuração e munições.

Contexto geopolítico

O pedido ocorre em meio a esforços dos EUA para reduzir a dependência de minerais críticos da China, incluindo tungstênio, lítio e terras raras. A China domina grande parte da oferta global de tungstênio e tem restringido exportações desde 2025.

O valor da matéria-prima disparou nos últimos meses, com a tonelada passando de cerca de US$ 350 para mais de US$ 3.100 desde o ano passado. O tungstênio é usado em indústrias de defesa, energia e manufatura.

A Cove Kaz diz que o projeto no Cazaquistão pode se tornar a maior mina de tungstênio fora da China, com construção prevista para 2028 e operação em 2029. A empresa aponta perspectivas de ampliação da oferta global.

Conexões com os filhos de Trump

A controvérsia envolve a ligação da Cove Kaz a Donald Trump Jr. e Eric Trump. Em fevereiro, a Cove Kaz anunciou fusão com a Skyline Builders, listada na Nasdaq e apoiada pela American Ventures, gestora ligada aos filhos.

Segundo o Financial Times, os irmãos ampliaram participação na Cove Kaz meses após o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, informar a Trump a intenção de conceder grande projeto de tungstênio à Cove Kaz. Não há evidências de envolvimento direto dos irmãos nas negociações públicas.

Apesar disso, a proximidade entre investimentos privados da família presidencial e interesses estratégicos dos EUA levantou críticas de ética pública e governança entre especialistas. As autoridades reiteram que os irmãos atuam como investidores passivos.

Panorama internacional e próximos passos

O caso ilustra a corrida por minerais críticos em cenários de tensões entre EUA, China e seus aliados. Washington vem fortalecendo bancos públicos, incentivos e cooperação diplomática para viabilizar projetos minerais com países parceiros.

O Cazaquistão ganha relevância ao manter grandes reservas e buscar maior aproximação com EUA e Europa, ao mesmo tempo em que balança relações com China e Rússia. A avaliação sobre riscos e impactos de políticas públicas permanece em pauta.

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