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Especialista afirma que sistema de segurança pública é o mesmo da ditadura

Especialista sustenta que o sistema de segurança pública herdou a ditadura, mantendo padrão de violência, execuções e impunidade, principalmente em periferias

São Paulo (SP), 05/12/2024 -ato contra violência policial, concentração em frente ao teatro municipal de são paulo, praça Ramos de Azevedo . Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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  • O especialista Adilson Paes de Souza afirma que o sistema de segurança pública no Brasil é o mesmo da ditadura, com uso de violência e lógica de guerra.
  • Histórias como Crimes de Maio, Massacre do Carandiru e outras operações são citadas como exemplos de padrões de ações que resultam em altas mortes de civis.
  • Durante os Crimes de Maio, 59 agentes do Estado foram mortos e, na retaliação, cerca de 505 civis foram assassinados pelo Estado, segundo o pesquisador Bruno Paes Manso.
  • Defensores e estudiosos destacam que o modelo atual atua como se fosse uma selva, com vingança institucional e impunidade, especialmente contra pretos e pobres.
  • Há apelo por discutir o modelo de segurança pública, eliminar resquícios da ditadura, aumentar transparência e controle, melhorar capacitação e remuneração dos policiais, e avançar para uma polícia cidadã; a SSP de São Paulo afirma que casos são investigados e que há medidas para reduzir a letalidade.

O sistema de segurança pública no Brasil é descrito por especialistas como herdado da ditadura militar. Pesquisas sobre letalidade policial e violência institucional ligam ações recentes a padrões que remontam ao período anterior a 1985.

A pesquisadora Débora Maria da Silva, mãe de Edson Rogério dos Santos, afirma que mortes de jovens negros em operações policiais repetem o mesmo modus operandi. Edson foi assassinado durante os Crimes de Maio, que acompanharam ataques do PCC e retaliação policial.

O pesquisador Adilson Paes de Souza, tenente-coronel aposentado, aponta que ações como Verão, Escudo e Contenção repetem o mesmo padrão de violência em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Ele cita também outras recorrências em Minas Gerais e Santa Catarina.

Para Souza, a polícia militar foi criada sob decreto-lei inspirado no AI-5, instrumento repressivo da ditadura. A Constituição de 1988 não alterou esse quadro, mantendo funções de policiamento ostensivo.

Segundo ele, o sistema de eliminação de pessoas, com execuções e encarceramento em massa, permanece desde a ditadura. Alega que a democracia brasileira ainda abriga esse legado na segurança pública.

Ongs e especialistas ressaltam que a violência estatal se manifesta com prisões arbitrárias, tortura e execuções. O desafio é ampliar transparência, responsabilização e controle democrático sobre as forças de segurança.

Para o advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, da Conectas Direitos Humanos, as chacinas e massacres demonstram dificuldade das instituições em promover supervisão democrática das polícias. O objetivo é ampliar investigações e responsabilizações.

O ouvidor Mauro Caseri defende discutir o modelo de segurança pública e eliminar resquícios da ditadura. Ele sugere ampliar a coordenação nacional e investir na polícia cidadã, com respeito aos direitos.

Especialistas destacam que a repressão não fortalece a segurança pública. A correção passa por capacitação, melhoria de remuneração, amparo psicológico e fiscalização eficaz dos abusos.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que mortes decorrentes de intervenção policial são investigadas com acompanhamento de órgãos de controle e do Ministério Público. A SSP afirma que reforça protocolos, capacitação e uso de tecnologias para reduzir a letalidade.

A discussão sobre o legado da ditadura na segurança pública foi tema de uma edição especial da TV Brasil, que abordou Crimes de Maio e as respostas do sistema de segurança.

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