- O ministro Guilherme Boulos disse que há risco de a PEC da reforma da escala 6×1 ser aprovada na Câmara e ficar engavetada no Senado, caso a Câmara não vote também o projeto de urgência constitucional apresentado pelo presidente Lula.
- Segundo ele, votar a PEC sem urgência deixa o tema dormindo no Senado, o que representa um “risco real” para a sociedade.
- Boulos disse ser contrário às propostas de transição discutidas no Congresso, como a redução da jornada de trabalho em até cinco anos, chamando-as de tentativa de “empurrar com a barriga”.
- Ele criticou a ideia de compensação aos empresários pela redução da jornada, chamando a medida de “bolsa-patão” e qualificando-a de absurda.
- O ministro também afirmou que é contrário a determinadas propostas econômicas, incluindo críticas a economistas que defendem a Selic hipotética de forma extremada, e se posicionou contra a prática de apostas (bets) no cenário econômico.
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou nesta terça-feira 12, em Brasília, que há risco de manobra no Congresso paraadiar a pauta. Ele disse que a Câmara pode votar a PEC em vez do projeto de urgência do presidente Lula, o que manteria a proposta engavetada no Senado.
A fala ocorreu durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC. Boulos alertou sobre a possibilidade de aprovação da PEC na Câmara sem tramitar o PL com urgência constitucional, levando a matéria a ficar parada no Senado.
Sobre a proposta de reduzir a jornada de trabalho em até cinco anos, o ministro disse ser contrária a esse tipo de transição. Segundo ele, medidas desse tipo podem ser usadas para “empurrar com a barriga” benefícios para certos grupos sem atender a trabalhadores.
Ele classificou a ideia da redução gradual como um artifício que não resolve, especialmente quando medidas de privilegios ou desonerações aparecem com pressa para grandes empresários.
Em relação à sugestão de Nikolas Ferreira (PL-MG) de compensar empresários pela redução da jornada, Boulos chamou a proposta de bolsa-patrão e a classificou como absurda, criticando o efeito previsto sobre o equilíbrio fiscal.
A respeito de economistas que criticam a nossa política quando a taxa Selic é debatida, o ministro afirmou que há quem se posicione como especialista ao defender cenários hipotéticos. Ele reiterou posição contrária a certas apostas econômicas.
O ministro também disse ser contrário a propostas que tratam de flexibilizar ou adiar medidas de controle de atividades, mantendo foco em políticas que beneficiem trabalhadores sem prejuízo fiscal.
Entre na conversa da comunidade