- O Ministério Público do Paraná analisa pedido do Sindicato Rural de Ponta Grossa sobre irregularidades no Contorno Norte e Leste, previsto no novo contrato de concessões de rodovias e a ser executado pela Motiva.
- A entidade alega falta de transparência e ausência de dados técnicos detalhados, com solicitações de estudos mais aprofundados que não teriam sido repassados.
- Entre as preocupações estão potenciais impactos em áreas de pesquisa da Embrapa, nascentes e no rio Cará-Cará, com risco de contaminação e redução da disponibilidade hídrica.
- O traçado também pode fragmentar propriedades rurais, com nove acessos em cerca de quarenta e dois quilômetros, o que complica a logística de produtores, máquinas e insumos; não há mecanismos claros para passagem entre áreas cruzadas pela rodovia.
- A obra, estimada em R$ 1 bilhão e com cerca de 42 quilômetros, é vista pelo sindicato como necessária, mas com alterações no traçado; a Motiva afirma não ter sido notificada pela MPPR.
O Ministério Público do Paraná analisa um pedido do Sindicato Rural de Ponta Grossa que aponta irregularidades no projeto do Contorno Norte e Leste da cidade dos Campos Gerais. A obra consta no contrato de concessões de rodovias do estado e será executada pela Motiva. O pedido chegou ao MPPR nesta semana.
O sindicato alega falta de transparência na apresentação do traçado, com informações técnicas insuficientes. Segundo Gustavo Ribas, as lideranças locais solicitam estudos mais detalhados, como sondagens e dados de traçado, para permitir análise técnica e sugestões de ajuste.
Ainda de acordo com o sindicato, houve atraso na disponibilização de informações. Eles afirmam que, desde 2025, quando o projeto foi apresentado, poucas informações técnicas concretas foram repassadas a entidades e lideranças. A demanda é por acesso a dados mais completos.
Contexto e pontos de preocupação
Entre os pontos apresentados ao MPPR estão impactos ambientais e produtivos. A entidade cita áreas de pesquisa e recursos hídricos como potenciais afetados. Um trecho do traçado seria próximo à Embrapa, o que poderia comprometer pesquisas estratégicas para o agronegócio da região Sul.
Ribas aponta riscos a nascentes e ao rio Cará-Cará, com o possível cruzamento de várias fontes de água que poderiam reduzir a disponibilidade hídrica para atividades industriais locais.
No aspecto produtivo, o sindicato afirma que o traçado prevê nove acessos ao longo de 37 quilômetros de áreas agrícolas, o que poderia fragmentar propriedades e dificultar a logística rural. Há ainda a alegação de ausência de mecanismos claros para passagem de máquinas e animais entre áreas separadas pela rodovia.
Posição do sindicato e da concessionária
O sindicato diz apoiar a obra, desde que o traçado seja adequado às necessidades locais. A obra, estimada em cerca de R$ 1 bilhão, tem extensão de aproximadamente 42 quilômetros e envolve dois eixos rodoviários com nove dispositivos de acesso controlado.
Ribas ressaltou que sugestões de traçado já teriam sido discutidas no Conselho de Desenvolvimento de Ponta Grossa, mas não foram incorporadas ao projeto. O objetivo é desviar o tráfego de veículos pesados das áreas urbanas para reduzir congestionamentos e riscos de acidentes.
A Motiva Paraná informou, por meio de nota, que não foi notificada oficialmente e que se pronunciará após a comunicação do MPPR. A concessionária gerencia 569 quilômetros de rodovias em 21 municípios, com investimentos previstos de R$ 16 bilhões ao longo de 30 anos.
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