- André do Prado (PL) foi escolhido para disputar o Senado por São Paulo com o objetivo de fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026, não apenas beneficiar Eduardo Bolsonaro.
- Prado tem acesso a centenas de prefeitos paulistas e mobiliza a máquina eleitoral local para apoiar a chapa, segundo auxiliares de Eduardo.
- A ideia é usar a capilaridade de Prado para “fechar São Paulo” para Flávio, já que o PT não tem prefeituras relevantes no estado.
- A decisão gerou tensão interna entre a direita paulista: Jair Bolsonaro preferia Mello Araújo, mas Eduardo Bolsonaro e Valdemar Costa Neto optaram por Prado.
- Eduardo Bolsonaro deverá integrar a chapa como primeiro suplente de Prado, ao lado de Guilherme Derrite (PP); Salles acusa Eduardo de ter recebido dinheiro para apoiar Prado, denúncia que foi negada pelo envolvido.
A escolha de André do Prado (PL) para disputar o Senado por São Paulo visa ampliar o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em 2026, não apenas beneficiar Eduardo. A estratégia busca consolidar a maior base eleitoral do país para a candidatura presidencial de Flávio, segundo fontes próximas ao grupo.
Prado, de 32 anos, preside a Assembleia Legislativa do Paraná desde 2023 e diz ter influência direta sobre centenas de prefeitos paulistas. A ideia é transformar essa capilaridade em musculatura política para a chapa de Flávio no maior colégio eleitoral do Brasil.
Para assistentes próximos a Eduardo Bolsonaro, a força de Prado está na capacidade de articular redes locais. Quando um prefeito se engaja, a respectiva Câmara Municipal e diretórios partidários ganham ritmo de campanha a favor da candidatura.
André do Prado mantém relação antiga com a família Bolsonaro, entre amigos de Renato Bolsonaro, irmão de Jair. Em redes sociais, Renato indicou apoio ao pré-candidato, reforçando o vínculo entre Prado e o clã.
Eduardo Bolsonaro destacou, publicamente, as qualidades de Prado, citando a experiência e a capacidade de diálogo com prefeitos de diferentes partidos como elementos que fortalecem o projeto de 2026. A legenda afirmou o énfase na capilaridade estadual.
O processo de composição da chapa para o Senado apontou opções incluindo Mário Frias, Gil Diniz, Sonayra Fernandes, Paulo Mansur, Rosana Valle e Ricardo Mello Araújo. Entre os cogitados, o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo era preferido de Jair Bolsonaro, mas a opção final recaiu sobre Prado, segundo apuração interna.
Em nota, a presidência do PL reforçou que a decisão sobre o Senado cabe ao próprio Jair Bolsonaro. Michelle Bolsonaro reforçou que a definição sobre o candidato envolvia a percepção do titular da legenda.
A escolha de Prado gerou tensão entre apoiadores da direita paulista. O deputado Ricardo Salles (Novo) acusou Eduardo de ter recebido recursos para apoiar Prado, acusação negada pelo líder da família. Salles afirmou que não abriria mão da própria candidatura a menos que houvesse mudança na chapa.
Para o cientista político Leandro Consentino, do Insper, a disputa indica tensões entre setores ideológicos e pragmáticos dentro do movimento.
Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, anunciou que atuará como primeiro suplente na chapa de Prado. O segundo concorrente ao Senado na chapa é Guilherme Derrite (PP). As eleições deste ano outorgam dois senadores por estado.
A Gazeta do Povo ressai que a reportagem solicitou contato com André do Prado, sem retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestação do pré-candidato.
Entre na conversa da comunidade