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Diretores defendem a Anvisa e denunciam desinformação e ataques racistas

Diretores da Anvisa defendem atuação do órgão diante de ataques racistas e desinformação sobre o recolhimento de Ypê por falhas no controle de qualidade

Diretor Thiago Campos, da Anvisa
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  • Diretores da Anvisa defenderam a atuação do órgão diante de ataques de apoiadores de Jair Bolsonaro e de desinformação sobre a decisão envolvendo a marca Ypê.
  • O diretor Thiago Lopes Cardoso Campos relatou ter sofrido ataques racistas nas redes sociais.
  • O presidente da Anvisa, Leandro Safatle, disse que a disseminação de informações falsas coloca vidas em risco e que conteúdos incorretos sobre medicamentos, vacinas e riscos sanitários são perigosos.
  • A Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes com a numeração final 1, fabricados em Amparo, interior de São Paulo, e suspendeu a produção por falhas no controle de qualidade.
  • A inspeção apontou falhas graves na fábrica da Ypê relacionadas à qualidade microbiológica, com identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de cem lotes, levando a empresa a intensificar ações corretivas (239 no total).

Na terça-feira 13 de maio de 2026, diretores da Anvisa defenderam a atuação do órgão regulador diante de ataques e de desinformação associada ao caso Ypê. A cobrança vem após a decisão da agência de recolher parte dos produtos da marca no interior de São Paulo.

A instituição informou que ocorreu recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante com final 1, fabricados em Amparo, após identificação de falhas no controle de qualidade. A Anvisa também suspendeu a produção até a regularização.

Thiago Lopes Cardoso Campos, diretor da Anvisa, relatou ataques racistas que vem sofrendo nas redes sociais. Safatle, presidente da Anvisa, afirmou que informações falsas colocam vidas em risco e prejudicam a compreensão sobre medicamentos, vacinas e riscos sanitários.

Dirigentes destacaram que discordância com decisões administrativas não pode ser usada para promover violência ou desrespeito institucional. Campos ressaltou que a violência contra pessoas negras é um obstáculo à atuação pública e técnica.

O setor de fiscalização, chefiado por Daniel Meirelles, reiterou a rotina de recolhimento de produtos em função do tamanho do mercado regulado. A diretora Daniela Marreco destacou que ataques na mídia não devem influenciar a análise técnica da agência.

O presidente Leandro Safatle informou que, em inspeção conjunta com órgãos estaduais de São Paulo e o município de Amparo, foram identificadas falhas graves na fábrica relacionadas à qualidade microbiológica, com bactérias em vários lotes. Deficiências no controle de materiais de embalagem também foram apontadas.

A Química Amparo, dona da Ypê, informou que implementou ações corretivas para atender às exigências da vigilância sanitária. A empresa informou ainda que já adotou mudanças no sistema de tratamento de água, ingrediente principal de seus produtos líquidos, segundo a Anvisa.

Na semana anterior, lideranças bolsonaristas divulgaram conteúdos que defendiam a Ypê, incluindo vídeos de pessoas demonstrando usos não usuais dos detergentes. Michell Bolsonaro publicou foto com detergente e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, recomendou o uso de produtos da marca em vídeo.

A próxima votação sobre o recurso da Ypê, prevista pela Anvisa, havia sido adiada para sexta-feira, após suspensão temporária da pauta. A agência informou que continuará avaliando o cumprimento das exigências de vigilância sanitária pelos responsáveis.

A Anvisa reiterou que as ações regulatórias são pautadas pelo interesse público em proteger a saúde da população, buscando transparência e responsabilidade técnica em todo o processo.

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