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França investiga se empresa israelense interferiu em eleições locais

França investiga se empresa israelense BlackCore encomendou campanha de desinformação para difamar três candidatos da França Insubmissa nas eleições municipais

Uma bandeira francesa tremula sob o Arco do Triunfo durante uma cerimônia que marca o 81º aniversário do Dia da Vitória na Europa, que comemora o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em Paris, França
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  • Autoridades francesas investigam se a empresa israelense BlackCore liderou uma campanha de desinformação contra três candidatos do La France Insoumise antes das eleições municipais de março, com sites falsos, contas em redes sociais e anúncios depreciativos.
  • A operação mirou Sébastien Delogu (Marselha), François Piquemal (Toulouse) e David Guiraud (Roubaix), conforme apurado por fontes familiarizadas com o assunto.
  • A Meta removou uma rede ligada à desinformação por violar regras de comportamento coordenado; Google e TikTok identificaram aspectos da operação, sem detalhes adicionais.
  • O Virginum apontou interferência estrangeira de alcance limitado; autoridades francesas, israelenses e o governo francês não confirmaram autoria da BlackCore.
  • Os candidatos e o LFI sinalizaram cooperação com investigações; Piquemal pediu apuração, Delogu moveu ação por difamação e Guiraud informou ter sido alvo de páginas ligadas ao mesmo ecossistema.

França investiga se empresa israelense interferiu em eleições locais. Autoridades de inteligência analisam quem pode ter encomendado a suposta campanha da BlackCore para difamar três candidatos do partido França Insubmissa (LFI), em meio a eleições municipais realizadas em março deste ano.

A apuração envolve alegações de sites enganosos, contas em redes sociais associadas a conduta criminosa e anúncios digitais depreciativos. Fontes próximas ao caso afirmam que as instituições investigam a origem dos conteúdos e a relação com a referida empresa.

A Reuters não confirmou quem estaria por trás da BlackCore nem sua localização nem registros cadastrais. A empresa não respondeu a mensagens enviadas por meio de seu site e do LinkedIn, que foram retirados do ar.

As autoridades francesas não comentaram publicamente as suspeitas sobre a BlackCore. O serviço Viginum, ligado ao gabinete do primeiro-ministro, também não apresentou posicionamento.

Conteúdo da suspeita

A operação seria ligada à candidatura de Marselha, Sébastien Delogu, a de Toulouse, François Piquemal, e a de Roubaix, David Guiraud. As informações sobre o caso surgiram inicialmente do jornal Le Monde, que citou o Viginum, e do Le Canard Enchaîné, que mencionou a possibilidade de envolvimento de uma empresa israelense.

A campanha seria caracterizada por desinformação em plataformas digitais e por divulgação de conteúdos difamatórios, segundo as fontes. A Reuters teve acesso a documentos da BlackCore apontando a autoria de uma operação anterior em redes sociais para um governo africano, não datados, com referência a uma atuação iniciada em janeiro e com duração de 14 semanas.

Reação de plataformas e desdobramentos

A Meta informou ter removido uma rede de contas por violação de regras de comportamento coordenado inautêntico, associando a atividade a Israel e estimando o alcance principalmente na França. Google e TikTok identificaram elementos da operação, sem detalhar as ações ou responsáveis.

O Google não comentou o caso. O TikTok disse ter removido uma conta ligada a um dos sites falsos usados na campanha francesa, citando violação de regras de engajamento enganoso.

Candidatos e contextos locais

Delogu, que recuou à candidata para evitar dividir o voto de esquerda, moveu ação por difamação em março após a veiculação de conteúdos no blog Sophie’s Blog. Um código QR divulgado em Marselha também apontou para o site. O Ministério Público de Marselha não respondeu a perguntas.

Guiraud, vencedor em Roubaix, foi alvo de páginas no Facebook associadas ao mesmo ecossistema de desinformação. Piquemal, líder da esquerda em Toulouse e ex-candidato, afirmou ter procurado a polícia após ataques de contas anônimas e anúncios depreciativos na imprensa local.

O La Dépêche informou que adotaria medidas legais contra os responsáveis pelos anúncios. O promotor de Toulouse, David Charmatz, não forneceu detalhes sobre a BlackCore, citando que as denúncias eram muito recentes para gerar pistas.

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