- Pela avaliação do governo, a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro pode favorecer a candidatura de Lula à reeleição, apesar da cautela dos aliados.
- Áudios revelados mostram que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro; o Valor confirmou a autenticidade dos registros.
- O PT vê a relação entre o Master e a família Bolsonaro como um risco de associação à fraude, mas também como possível ganho político para Lula.
- Vorcaro assumiu o controle societário do Master em outubro de 2019, ainda na gestão de Roberto Campos Neto; o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente no fim de 2025.
- Mesmo com leitura positiva para Lula, interlocutores do governo alertam que Flávio não está fora da disputa eleitoral e citam a necessidade de cautela diante de investigações ligadas ao caso.
O governo federal avalia que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, pode influenciar a imagem da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A leitura interna reserva cautela, mantendo Flávio ainda considerado como participante da eleição deste ano.
Áudios divulgados pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira evidenciam que Flávio Bolsonaro pediu recursos a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O Valor confirmou a autenticidade dos diálogos; Flávio confirma o teor, mas alega não ter oferecido ou recebido vantagens indevidas.
Eficiência do áudio para o cenário político
A avaliação do PT é de que o conteúdo distancia o Master de qualquer relação com o governo e com Lula, ao mesmo tempo em que aproxima a família Bolsonaro. A narrativa interna aponta que o banco tem ligação com figuras de peso, como Bolsonaro e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
Vorcaro assumiu o controle societário do Master em outubro de 2019, na gestão de Campos Neto. Em 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, com investigações sobre possíveis crimes financeiros envolvendo cifras bilionárias. Campos Neto não é alvo de apuração, segundo o BC.
Estratégias políticas em curso
Relatórios internos indicam que o PT pretende explorar a associação entre o banco e a família Bolsonaro, além de reforçar acusações a Flávio. O cuidado aparece porque o tema pode reavivar debates sobre rachadinhas no gabinete do então deputado estadual no Rio.
Nos últimos dias, integrantes do governo passaram a usar o termo Bolsomaster para vincular a atuação financeira do Master a episódios de fraude. A estratégia ganhou peso após a PF ter direcionado operações envolvendo o político Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro, que também aparece na rede de contatos de Vorcaro.
Perspectiva e cautela
Mesmo com sinais considerados positivos para a saga de Lula, a gestão federal admite cautela e não descarta a participação de Flávio na corrida eleitoral. A avaliação é de que o cenário permanece volatil, exigindo acompanhamento próximo dos desdobramentos.
A direção do Banco Central, liderada por Gabriel Galípolo, afirma que auditorias internas e sindicâncias não apontaram responsabilidade de Campos Neto no caso Master. A posição ajuda a manter o foco nos desdobramentos financeiros da instituição.
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