- Intercept Brasil publicou gravação em que Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro o repasse de treze milhões e quatrocentos mil reais para financiar o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro.
- A conversa ocorreu perto da primeira prisão de Vorcaro; o material aponta pagamento integral de parte do dinheiro, com evidências de transferência de recursos, ainda sob investigação.
- Reações políticas divididas: aliados de Lula e pré-candidatos de esquerda e de direita atacam Flávio, cobrando transparência e investigação.
- Partidos da oposição e críticos anunciados pela oposição propõem ações, como cassação no Senado, CPI e abertura de apuração pelo Ministério Público Eleitoral.
- Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirma que o patrocínio era privado e defende a instalação de uma CPI para apurar o Banco Master.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. O valor apurado é de 134 milhões de reais. A negociação foi revelada por reportagem do Intercept Brasil.
A gravação mostra o senador cobrando recursos de Vorcaro em meio a investigações que cercavam o ex-banqueiro. A conversa ocorreu na véspera de nova prisão de Vorcaro, no ano passado, segundo a apuração. Flávio afirma ter ciência da investigação.
A divulgação provocou reação de aliados e adversários. Críticos de Flávio usaram o áudio para questionar a integridade do senador e sua relação com o Banco Master. O tema ganhou espaço em diferentes palcos do debate eleitoral.
Repercussões políticas
Presidenciáveis de direita comentaram o caso. Romeu Zema, do Novo, afirmou que é imperdoável cobrar recursos de um investidor e pediu credibilidade ao cenário político. Já Ronaldo Caiado, do PSD, exigiu transparência sobre os vínculos entre o Master e financiamentos milionários.
O Missão, partido de Renan Santos, informou que pedirá a cassação de Flávio no Conselho de Ética do Senado e abriu representação no Ministério Público Eleitoral para apurar uso de dinheiro ilícito em financiamento de filme. O partido acusa Flávio de participar de esquemas.
Lula e aliados também reagiram. Guilherme Boulos, ministro, zombou da ligação entre Flávio e Vorcaro ao mencionar declarações prévias sobre o Banco Master. Lindbergh Farias pediu inquérito pela PF e defesa da prisão preventiva do senador.
Deputados do PT defendem abertura de uma CPI para investigar o que chamam de ligação entre o Bolsomaster e interesses privados. Gleisi Hoffmann associou os episódios a uma suposta extensão de envolvimento familiar com o Banco Master. Erika Hilton anunciou que levará o caso à PGR.
Contexto e próximos passos
Vorcaro foi preso pela segunda vez em março e permanece detido, sob suspeita de fraudes, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele nega irregularidades. O Intercept Brasil trouxe conversas de WhatsApp entre 2024 e 2025, além de comprovantes de pagamento e planilhas de controle.
A autenticidade de parte das informações foi confirmada pelo Valor, com base em fontes envolvidas nas investigações. A reportagem também incluiu notas e reações de representantes de partidos, sem consignar versões completas de todas as partes envolvidas.
Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de nota, que conheceu Vorcaro em 2024, após o fim do governo anterior, e que o patrocínio seria privado para um filme privado. O senador negou oferecer vantagens ou ter intermediado qualquer negócio com o governo.
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