- A Polícia Federal investiga se recursos ligados a Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025.
- Os recursos teriam sido transferidos a um fundo com sede no Texas, pela empresa Entre Investimentos e Participações, com a finalidade de bancar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
- Há a suspeita de que o fundo seja controlado por aliados de Eduardo; a PF quer entender se o dinheiro foi usado para o filme ou para custear a vida do ex-parlamentar no país.
- O pré-candidato Flávio Bolsonaro revelou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens; a produtora Go Up Entertainment afirmou não ter recebido repasses.
- Eduardo é réu no STF em ação relacionada a coação no curso do processo; a denúncia foi apresentada em vinte e um de setembro, após a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe.
A Polícia Federal (PF) investiga a possível utilização de recursos ligados a Daniel Vorcaro para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde vive desde fevereiro de 2025. Segundo as apurações, esses recursos teriam ido a um fundo sediado no Texas, operado pela Entre Investimentos e Participações, com o objetivo de bancar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A PF suspeita que esse fundo possa ser controlado por aliados de Eduardo.
A linha de investigação foi divulgada pelo site Amado Mundo e posteriormente confirmada pela Folha. A PF busca esclarecer se os recursos, supostamente enviados a pedido do dono do Banco Master, foram de fato usados para financiar o filme ou se parte deles financiou a vida de Eduardo no exterior. A reportagem da Folha procurou Eduardo Bolsonaro nesta quinta-feira (14) por telefone e WhatsApp, sem obter resposta.
Na quarta-feira (13), o The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro (PL) pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme. O ex-banqueiro teria custeado até R$ 61 milhões, segundo o material divulgado, e um áudio de setembro de 2025 registra cobrança de recursos por Flávio. O senador afirmou ter solicitado patrocínio para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.
Flávio Bolsonaro declarou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia encerrado e não havia acusações públicas contra o banqueiro. Ele disse ainda que o contato ocorreu quando houve atraso no pagamento das parcelas de patrocínio e reiterou não ter promovido encontros fora da agenda nem intermediado negócios com o governo. O senador afirmou apoiar a CPI do Master.
A Go Up Entertainment, produtora do filme, negou ter recebido repasses de Vorcaro para o projeto, assim como o produtor-executivo e ex-deputado Mário Frias. Eduardo Bolsonaro reside nos EUA desde o ano passado e é réu no STF em ação que envolve acusação de coação no curso do processo, ligada a suposta tentativa de impor sanções contra o Brasil para atrapalhar o julgamento de Jair Bolsonaro sobre a trama golpista. A denúncia da PGR foi apresentada em 21 de setembro, após a condenação de Bolsonaro, e, em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia por unanimidade.
A Folha voltou a procurar Eduardo nesta quinta-feira (14) sem sucesso. A PF permanece com a hipótese de que os recursos teriam sido enviados a pedido do dono do Banco Master e estão sendo analisados para confirmar se serviram ao financiamento do filme ou para custear a vida do ex-deputado nos Estados Unidos.
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