- DataSus mostrou que, em 2024, 104 pessoas morrem por dia no trânsito brasileiro, número ligado aos desafios de segurança viária.
- O conceito de “sistemas seguros” busca zero mortes ou feridos graves, com a gestão de velocidade como ferramenta central em vias urbanas.
- Em Fortaleza, reduzir de 60 km/h para 50 km/h nas vias arteriais diminuiu em 68% os sinistros com vítimas fatais, com custo estimado de seis segundos por quilômetro.
- Recomendações apontam limites de 50 km/h em áreas urbanas, e 30 km/h em áreas comerciais com alta interação de usuários; Paris já tem 30 km/h em 95% da malha urbana.
- A fiscalização por velocidade média entre dois pontos tem mostrado resultados positivos, com exemplos como Londres (queda de 30% nos sinistros) e debate no Brasil sobre o PL das Velocidades Seguras, que visa reduzir limites urbanos e ampliar a velocidade média.
Desde a metade da segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, o Brasil encara o ritmo doloroso de mortes no trânsito. Dados consolidados pelo DataSUS em 2024 apontam 104 óbitos diários, equiparando-se à queda diária de um avião comercial.
Especialistas defendem que a chave está nos “sistemas seguros”, que priorizam evitar mortes e ferimentos graves, não apenas reduzir sinistros. A visão é zerar fatalidades em ambientes urbanos com gestão de velocidade apropriada.
No foco atual, o objetivo é estruturar uma política nacional de gestão de velocidade. A meta é reduzir velocidades em vias urbanas para 50 km/h, e 30 km/h nas áreas de maior convivência entre pedestres e outros modos de transporte.
O que mudou na prática
Estudos em Fortaleza mostraram queda de 68% em sinistros fatais após reduzir de 60 para 50 km/h em vias arteriais, com atraso de apenas seis segundos por km. Campinas e Bogotá apontaram aumento de 10 a 15 segundos no tempo de viagem.
Como funcionam as políticas
A fiscalização eletrônica de velocidade tem histórico no Brasil desde os anos 1990, mas o efeito é restrito ao local. O novo foco é a velocidade média entre dois pontos, comprovadamente eficiente para reduzir velocidades e melhorar o fluxo.
Exemplos internacionais
Londres registrou queda de 30% nos sinistros com a adoção de velocidade média em vias arteriais. Paris já utiliza limites de 30 km/h em grande parte da malha urbana, reforçando a estratégia de convivência entre modos de transporte.
Debates e caminhos
O PL das Velocidades Seguras (PL 2789/2023) ganha força, defendendo limites mais baixos em centros urbanos e a adoção da velocidade média. A decisão brasileira precisa considerar evidências técnicas e o impacto social de cerca de 38 mil famílias atingidas anualmente.
Por que isso importa
A gestão de velocidade não elimina sinistros, mas reduz gravemente a severidade. O objetivo é que, em situações de choque, o impacto seja compatível com a sobrevivência humana, especialmente para pedestres e ciclistas.
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