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Faltam políticas públicas e financiamento para descarbonizar o transporte público

Especialistas acreditam que a eletrificação do transporte público deve acelerar, mas faltam políticas públicas e financiamentos para destravá-la

Descabonizar o transporte público é um dos caminhos para reduzir as emissões do setor
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  • O tema do painel Descarbonizar a Cidade Começa pelo Transporte, no São Paulo Innovation Week, destacou que o Brasil precisa de políticas públicas e financiamentos para acelerar a eletrificação do transporte público.
  • A cidade de São José dos Campos já opera com vinte ônibus elétricos e planeja ampliar a frota em até trezentos e cinquenta veículos até o final de dois mil e vinte e sete, todos fabricados pela Eletra.
  • A mudança enfrentou resistência inicial entre operadores, mas hoje há percepção de que a eletrificação reduz custos de manutenção e melhora a qualidade do serviço.
  • No Brasil, são aproximadamente mil e trezentos ônibus elétricos em operação, com alta participação de empresas nacionais e veículos com elevada nacionalização (em torno de noventa e seis por cento).
  • Especialistas apontam que, para avançar, é fundamental ter regulamentação estável, linhas de financiamento mais acessíveis e maior segurança jurídica nos contratos, além de investimento em infraestrutura de recarga.

O Brasil enfrenta dificuldades para destravar a descarbonização do transporte público, especialmente pela falta de políticas públicas claras e de financiamentos acessíveis. A eletrificação de ônibus surge como caminho para reduzir emissões de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global.

Essa pauta foi discutida no painel Descarbonizar a Cidade Começa pelo Transporte, durante o São Paulo Innovation Week. Participaram Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos, Milena Braga, CEO da Eletra, Gustavo Tanure, CEO da EzVolt, e Ana Beatriz Monteiro, especialista do BID.

A programação ocorreu nesta quinta-feira, 14, no SPIW, maior festival de tecnologia e inovação. O evento acontece no Pacaembu e na Faap, em São Paulo, até as próximas sexta-feira, 15, com mais de 2 mil palestrantes convidados. Autoridades e especialistas debatem mobilidade e sustentabilidade.

Logo no início, a moderadora Ana Beatriz questionou o prefeito sobre o impulso à eletrificação na frota. Farias citou a tradição de inovação da cidade e destacou que a transição já era prevista entre 2018 e 2019, por custo, qualidade do serviço e eficiência energética.

A visão dele é ampliar a participação de passageiros com ônibus mais confortáveis e silenciosos. Hoje São José dos Campos tem 20 ônibus elétricos, com planos de chegar a 350 unidades até o fim de 2027, todos fabricados pela Eletra, empresa brasileira.

A resistência inicial, segundo Farias, era causada por operadores acostumados a um modelo de negócios de diesel. Com o tempo, a percepção mudou, e a economia de manutenção de veículos elétricos passou a justificar a troca.

No tema de viabilidade, o prefeito destacou a necessidade de políticas públicas estáveis, linhas de financiamento mais acessíveis e maior segurança jurídica dos contratos, para que operadoras privadas atuem com tranquilidade.

Milena Braga afirmou que o Brasil avançou na eletrificação, citando a foça regulatória de São Paulo, que desde 2022 proíbe a compra de ônibus a diesel pela frota municipal. Ela ressaltou que o país já contabiliza cerca de 1.300 ônibus elétricos.

Segundo Braga, a Eletra opera 978 veículos elétricos em 17 cidades de 10 estados, com 96% de nacionalização e equipes técnicas formadas no Brasil. A executiva reforçou a necessidade de previsibilidade regulatória para reduzir custos e ampliar escala de produção.

Tanure, da EzVolt, apontou que a infraestrutura de recarga ainda é desafio relevante. Ele afirmou que a demanda costuma puxar os investimentos, mas reconheceu gargalos na atual capacidade de mobilidade de carga elétrica, especialmente na garagem das empresas.

Para destravar a eletrificação nos próximos anos, Tanure defende novas políticas públicas, financiamento mais acessível e maior participação de parcerias público-privadas, destacando que o mercado vem se ajustando à medida que a demanda cresce.

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