- O ministro da Saúde, Wes Streeting, renunciou nesta quinta-feira, 14, ampliando a crise no governo do primeiro-ministro Keir Starmer.
- Streeting, da ala direita dos Trabalhistas, afirmou ter perdido a confiança na liderança de Starmer e citou um “vácuo” na legenda, com eleição parlamentar prevista para 2029.
- Para lançar uma campanha, Streeting e outros candidatos precisam do apoio de 81 deputados (20% do partido); já há 86 dos 403 deputados trabalhistas pedindo a saída de Starmer.
- Entre os nomes em destaque estão Andy Burnham, Angela Rayner e outros, com Burnham sendo visto como favorito pela ala esquerda, mas sem confirmação de candidatura.
- A renúncia ocorre em meio a pressão de eleitores, sindicatos que retiraram apoio ao partido e a influência de fatores como a crise econômica, eleições locais de 7 de maio e controvérsia envolvendo nomeação de embaixador.
Keir Starmer vê o governo britânico sob pressão após a renúncia do ministro da Saúde, Wes Streeting, nesta quinta-feira, 14. Streeting, líder da ala direita dos trabalhistas, deixou o cargo após uma sequência de baixas no gabinete, ampliando as especulações sobre a liderança do Partido Trabalhista e o caminho para as eleições de 2029. A renúncia ocorreu em meio a resultados ruins nas eleições locais de 7 de maio.
O anúncio de Streeting foi feito por meio de uma carta publicada no X. O ex-ministro afirmou ter “perdido a confiança” na condução de Starmer e disse que há um vácuo na legenda, sugerindo que o premiê não liderará o partido nas próximas eleições parlamentares.
Possíveis postulantes
Entre os nomes que aparecem como possíveis rivais, o ex-ministro Andy Burnham, atual prefeito da Grande Manchester, aparece como figura de maior aceitação entre a esquerda do partido. A atuação de Burnham em cargos anteriores lhe rendeu grande visibilidade, o que pode sustentar uma campanha interna caso avance.
Angela Rayner, ex-vice-primeira-ministra, também figura na lista de potenciais concorrentes. Seu histórico como líder sindical e atuação em áreas de habitação e direitos dos inquilinos são citados como ativos relevantes, ainda que haja dúvidas sobre o apoio interno necessário.
Wes Streeting, mesmo após a renúncia, é visto por aliados como o principal nome da ala direita para disputar a liderança. Seu capital político está ligado à comunicação do governo e à promessa de reduzir as filas no NHS em comparação com o cenário anterior.
Cenário político e próximos passos
O ambiente político permanece volátil. Além da crise no governo, sindicatos vinculados ao Partido Trabalhista retiraram apoio, sinalizando necessidade de redefinição estratégica. A queda da popularidade de Starmer também aumenta a pressão por mudanças na liderança da legenda.
Frontes externos compõem o quadro de incerteza. A nomeação e demissão de Peter Mandelson como embaixador em Washington, envolvendo discórdias com Jeffrey Epstein, adicionou um episódio ao desgaste recente sobre a condução diplomática do Reino Unido.
Outro ponto relevante são as avaliações internas: o número de deputados que pediram a saída de Starmer já ultrapassa a metade da bancada, o que reforça a complexidade de manter o comando do governo e da legenda sem ruptura institucional.
Outros nomes em linha de disputa
Entre os nomes citados como potenciais candidatos, Ed Miliband, ex-líder do partido, aparece como possibilidade, especialmente em cenários de transição. Shabana Mahmood, atual ministra do Interior, é mencionada como figura com reformas de imigração que podem divergir de setores do partido. Al Carns, ministro da Defesa, também é apontado por alguns como uma opção.
A conjuntura indica que, apesar de sinais iniciais de resistência dentro do partido, ainda não houve anúncio oficial de candidatura de nenhum dos nomes. A decisão dependerá de apoios formais e da viabilidade de consolidar uma liderança capaz de enfrentar as próximas eleições.
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