- O Supremo Tribunal Federal abriu apuração sobre emenda parlamentar destinada à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro, com tentativas de intimação ao deputado Mário Frias.
- A denúncia, apresentada pela deputada Tabata Amaral, sustenta que Frias destinou ao menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura, ONG presidida por Karina Ferreira da Gama.
- A acusação aponta a formação de um grupo econômico com várias entidades para dificultar a rastreabilidade da verba pública, supostamente financiando produções de cunho ideológico.
- Também foram intimados Bia Kicis e Marcos Pollon; Frias afirmou ter redirectido parte dos recursos para o Hospital de Amor de Barretos, após questionamentos técnicos, sem que o projeto tenha avançado.
- A produção de Dark Horse está prevista para chegar aos cinemas em setembro; Frias afirmou que não houve participação financeira de Flávio Bolsonaro nem dinheiro público na obra.
O STF investiga uma emenda parlamentar ligada à produção de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. A abertura do processo envolve o deputado Mário Frias (PL-SP), acusado por Tabata Amaral (PSB-SP) de destinar ao menos R$ 2 milhões à ONG Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina Ferreira da Gama. A denúncia aponta que os recursos tinham como destino uma produtora envolvida na obra Dark Horse.
Segundo o processo, oficiais de justiça tentaram intimar Frias em Brasília, na Câmara, entre março e abril, para esclarecer irregularidades no repasse de emendas. Em três visitas, assessores afirmaram que Frias estaria em São Paulo e não apresentaram agenda do parlamentar.
Emendas e atores
A acusação de Tabata Amaral ganhou repercussão após reportagem de dezembro de 2025 do The Intercept Brasil, que afirmou que a ANC recebeu cerca de R$ 2,6 milhões vindos de emendas de parlamentares ligados ao PL. Além de Frias, aparecem citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.
A reportagem também motivou a sugestão de formação de um grupo econômico com várias empresas sob um comando único, o que, segundo a autora, dificultaria a transparência da aplicação das verbas públicas.
Intimados pela autoridade competente, Bia Kicis e Marcos Pollon apresentaram seus esclarecimentos dentro do prazo. Pollon confirmou ter destinado R$ 1 milhão à Secretaria de Cultura de São Paulo para apoiar a produção de uma série documental vinculada à Go Up Entertainment, mas disse que a proposta não saiu do papel por falhas técnicas.
Kicis também admitiu ter alocado R$ 150 mil para a série, sem que o projeto fosse executado. Ela classificou a denúncia como maliciosa e afirmou que o STF deve avaliar apenas o mérito social e econômico do projeto beneficiado, destacando o papel cultural e educativo pretendido pela emenda.
A Advocacia da Câmara informou que não encontrou irregularidades nas duas emendas de Frias, conforme orientação processual, ao ser questionada pelo ministro Flávio Dino.
Master e controvérsia
Nesta semana, reportagens associaram o senador Flávio Bolsonaro à emissão de recursos para o filme Dark Horse. Áudios divulgados indicam conversas entre Flávio e o empresário Vorcaro sobre a necessidade de aportes próximos ao lançamento, com detalhes sobre parcelas de pagamento.
Em resposta, o deputado Mário Frias declarou que Flávio Bolsonaro não detém participação societária na produção nem na Go Up Entertainment, e que não houve recebimento de dinheiro público pelo projeto na época. Frias ressaltou ainda que o filme é financiado por capital privado e tem elenco e direção de alto nível.
Dark Horse teve custos estimados em valores superiores aos de outras grandes produções nacionais, com afirmações de que o projeto conta com padrão hollywoodiano, elenco de renome e liderança internacional no roteiro. A equipe de Frias afirmou que o filme será lançado em breve e que os investimentos são privados, sem envolvimento financeiro público.
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