- O Supremo Tribunal Federal manteve a prescrição de pílulas de aborto via telemedicina (por telefone ou online) até ao menos o próximo ano.
- Em 1º de maio, o quinto tribunal de apelações proibiu a mifepristona para telemedicina, o que poderia restringir o acesso a abortos realizados com esse medicamento.
- O tribunal superior concedeu uma suspensão temporária ao uso remoto da mifepristona, primeiro por uma semana e depois por um prazo mais longo, permitindo que as prescrições continuem.
- A decisão de 14 de maio não resolve o caso; o debate deve chegar ao tribunal novamente após a apelação, com provável retorno no próximo ano.
- Dois ministros divergiram da decisão de manter as prescrições por telemedicina: Clarence Thomas e Samuel Alito, cada um apresentando argumentos diferentes sobre a validade da remessa pela via postal e sobre o poder dos estados frente a esse tema.
O Supremo Tribunal Federal manteve a disponibilidade nacional de pílulas abortivas via telemedicina nesta semana, mantendo prescrições por telefone ou online de mifepristona por pelo menos o próximo ano. A decisão ocorre após a suspensão temporária de um veredito de órgão inferior e visa continuar o acesso enquanto não houver recurso definitivo.
O caso começou com uma ação do estado de Louisiana contra a Food and Drug Administration. Em 1º de maio, o Fifth Circuit proibiu a prescrição de mifepristona via telemedicina, restringindo a prática ao atendimento presencial. A decisão foi considerada um duro golpe aos defensores da vida, segundo analistas.
Mesmo que a regra valesse apenas para Louisiana, a decisão era vista como limitadora para estados que tentam frear abortos realizados por médicos remotos. Especialistas apontaram que a restrição reduziria o acesso a abortos químicos, que correspondem a grande parte das interrupções de gravidez nos EUA.
Em seguida, uma fabricante de mifepristona solicitou ao Supremo uma suspensão imediata da decisão do Fifth Circuit. A Corte concedeu a suspensão, primeiro por uma semana, em 4 de maio, e depois por um prazo mais longo, em 14 de maio. A medida mantém o envio por telemedicina vigente por meses.
Implicações da decisão
O pedido do Supremo para manter as prescrições por telemedicina vigentes até o julgamento do recurso indica que o tema continuará em pauta no tribunal no próximo ano. A corte sinalizou a possibilidade de ouvir o caso, o que poderia influir bastante no futuro da distribuição das pílulas.
A dissidência de dois ministros, Thomas e Alito, questionou a constitucionalidade da prática. Thomas citou o Comstock Act para argumentar sobre o envio postal de itens que possam produzir aborto, enquanto Alito criticou a decisão por restringir a competência dos estados após Dobbs. As objeções, porém, não alteraram a ordem atual.
A análise da viabilidade de mudanças permanece incerta. Mesmo com a reversão possível, o panorama atual manteve a continuidade de acesso às pílulas mediante telemedicina, mantendo incerteza sobre eventual restrição futura.
A decisão do Supremo e o andamento do recurso podem moldar a dinâmica entre FDA, tribunais e estados nos próximos meses. Enquanto isso, a prática de prescrição à distância segue em vigor, com prazo aberto para novas manifestações judiciais.
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