- Flávio Bolsonaro afirmou não saber qual empresa Vorcaro usou para aportar recursos no filme em homenagem ao pai.
- O senador disse que o filme foi financiado por investimento privado e que foi criado um fundo nos Estados Unidos, exclusivo para a produção.
- A Polícia Federal investiga se as transferências teriam servido para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, com valores partindo do Havengate Development Fund, sediado no Texas.
- Diálogos entre Flávio e Vorcaro, nos quais o senador pediu dinheiro, foram revelados pelo Intercept Brasil e confirmados pelo Valor.
- Em Rio de Janeiro, Flávio criticou Romeu Zema por ter chamado o episódio de “tapa na cara do Brasil”, afirmando que o mineiro se precipitou.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que não sabe qual empresa utilizou o banqueiro Daniel Vorcaro para fazer investimentos no filme em homenagem ao pai, Jair Bolsonaro. O roteiro das declarações ocorreu durante um evento no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (15). Flávio afirmou que o filme foi financiado por investimento privado, por meio de um fundo criado nos Estados Unidos exclusivamente para esse fim.
Ele reiterou que o investidor com quem manteve contato foi Vorcaro, mas não soube esclarecer qual empresa serviu de veículo para os aportes. As informações sobre as conversas entre Flávio e Vorcaro foram reveladas pelo Intercept Brasil e confirmadas pelo Valor. O senador também afirmou que houve envio de recursos para o fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas.
Segundo a Polícia Federal, os repasses podem ter sido usados para financiar a vida do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Eduardo atua no Texas, país onde reside desde meados do ano passado. O fundo tem como representante legal o advogado Paulo Calixto, também defensor do ex-parlamentar.
Durante o evento, Flávio afirmou que não precisava se justificar e justificou os encontros com Vorcaro como ocorridos quando o banqueiro circulava amplamente pelo Brasil. Ele descreveu Vorcaro como alguém que patrocinava eventos de emissoras de televisão e mantinha contatos com autoridades, dizendo ter buscado investimento privado na época em que Vorcaro era recorrente no cenário público.
Diálogos entre Flávio e Vorcaro, revelados pelo Intercept, incluem mensagens de apoio do senador ao banqueiro em momentos de dificuldade. A divulgação ocorreu perto da prisão de Vorcaro, em novembro, quando Flávio manteve contato próximo com o empresário, segundo as mensagens publicadas.
Crítica a Zema
Ainda no Rio, Flávio reagiu à avaliação do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), de que o episódio era “tapa na cara do Brasil”. O senador disse que Zema se precipitou e que ele não tem envolvimento em irregularidades, atribuindo o comentário a uma pressa de se posicionar antes de conhecer os detalhes.
A situação envolve investigações da Polícia Federal sobre possíveis desvios privados para financiar atividades fora do país, com ligações apontadas entre Vorcaro, o fundo Havengate e demais envolvidos. A PF trabalha para esclarecer a origem dos recursos, os destinos dos aportes e o papel de cada um dos envolvidos.
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