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Juristas trans recorrem ao plenário após CNJ barrar pedido de banheiros

Antrajus recorre ao plenário do CNJ para regulamentação nacional do uso de banheiros conforme identidade de gênero, após decisão monocrática que negou norma

imagem colorida do letreiro em prateado com o nome do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desembargador - Metrópoles
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  • Juristas trans recorrem ao plenário do CNJ após decisão monocrática que julgou improcedente a regulamentação nacional de direitos de pessoas trans no Judiciário.
  • Relator Guilherme Feliciano informou que o CNJ deve aguardar definição do STF antes de editar norma vinculante sobre o tema.
  • Antrajus solicita que o CNJ edite regulamentação para permitir uso de banheiros conforme identidade de gênero, não exigir vestimenta conforme sexo biológico e criar sinalização inclusiva.
  • A proposta alternativa prevê recomendação aos tribunais como parâmetro de boas práticas, com ações contra discriminação e banheiros sem identificação de gênero.
  • Caso não haja reconsideração, o recurso sugere levar a matéria ao Plenário do CNJ para apreciação colegiada.

A Antrajus, Articulação Nacional de Juristas e Trabalhadores Trans do Sistema de Justiça, acionou o plenário do CNJ nesta sexta-feira (15/5) por meio de recurso administrativo. A entidade busca revisão de decisão monocrática que julgou improcedente a regulamentação nacional de direitos de pessoas trans no Judiciário.

A decisão, assinada pelo conselheiro Guilherme Feliciano, impede que o CNJ edite norma única para todos os tribunais assegurando direitos a magistrados, servidores, estagiários e trabalhadores trans nas dependências do Judiciário. O pedido envolve banheiros, vestimenta, sinalização e capacitação.

Luna Leite, presidenta da Antrajus, afirmou ao Metrópoles que o CNJ tem o dever constitucional de regulamentar a matéria diante de violações de direitos fundamentais de pessoas trans no sistema de Justiça. A ausência de regulação, segundo ela, perpetua constrangimentos dentro do próprio Judiciário.

O que o recurso pede

O recurso destaca que o processo julgado improcedente solicitava: acesso a banheiros conforme identidade de gênero autodeclarada; uso de vestimentas sem vínculo ao sexo biológico; sinalização inclusiva nas portas; e capacitação de servidores e magistrados para espaços mais tolerantes.

Ainda segundo o documento, embora o relator tenha reconhecido o caráter degradante da restrição, entende que o CNJ deve aguardar definição do STF antes de editar norma vinculante. O STF analisa cinco ADPFs sobre o tema, ainda sem decisão definitiva.

A Antrajus propõe, como alternativa, uma recomendação aos tribunais para orientar boas práticas, sem obrigatoriedade. O texto também prevê banheiros individuais sem identificação de gênero e uso livre desses espaços.

O recurso foi encaminhado à Presidência do CNJ e ao Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Promoção dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. A análise colegiada pode levar o tema ao Plenário do CNJ.

“A justiça se faz com coragem histórica e prudência firme”, afirma a entidade. O texto ressalta que a espera pelo STF não pode permitir mais constrangimentos cotidianos contra pessoas trans no sistema.

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