- Em maio de 2006, ataques do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital deixaram 564 mortos e 110 feridos em São Paulo, marco conhecido como Crimes de Maio, que deu origem ao Movimento Independente Mães de Maio.
- O movimento, formado por mães da Baixada Santista, cobra reparação estatal e denuncia a chamada “democracia das chacinas”, além de cobrar responsabilização das autoridades.
- Na Justiça, a maior parte dos inquéritos sobre as vítimas civis foi arquivada; apenas um ex-cabo da Polícia Militar foi condenado a 36 anos de prisão. Houve tentativas de federalização e denúncias internacionais de crimes de lesa-humanidade.
- As Mães de Maio reivindicam memória, uma perícia independente e a criação de políticas como a Lei Mães de Maio; foi criado o Centro de Memória Vítima de Violência do Estado para atendimento psicossocial.
- Autoridades reconhecem falhas e omitidos no combate ao crime organizado; o episódio começou com o “salve geral” de 12 de maio, que levou a ataques a 74 unidades prisionais e à morte de 59 agentes na fase inicial.
Vinte anos após a crise de segurança pública em São Paulo, ocorreram ataques entre 12 e 21 de maio de 2006. O episódio, conhecido como Crimes de Maio, deixou 564 mortos e 110 feridos por armas de fogo. O Movimento Independente Mães de Maio cobra responsabilização do Estado e reparação.
O grupo nasceu na Baixada Santista, a partir do luto de três mães: Débora Maria da Silva, Ednalva Santos e Vera de Freitas, que passaram a investigar sozinhas diante da falta de respostas oficiais. O movimento denuncia a chamada Democracia das Chacinas.
Débora perdeu o filho Edson Rogério, gari de 29 anos, pai de um menino de três, sem antecedentes criminais. Vera era mãe de Ana Paula, morta grávida de nove meses, ao lado do companheiro. Em 2006, a casa de Vera foi invadida pela polícia, que a prendeu.
Os casos na Justiça
Quase todas as investigações civis foram arquivadas pelo Judiciário, a pedido do Ministério Público, sob justificativas como autoria desconhecida. Até hoje, apenas um ex-cabo da PM foi julgado e condenado a 36 anos por três homicídios.
Diante dos arquivamentos, a Defensoria Pública, ONGs e as Mães de Maio acionaram a federalização das investigações por meio do IDC, com participação da PGR e do STJ. Organismos internacionais também foram acionados.
Sete acusados foram a júri popular, entre eles membros ligados ao PCC. A Justiça negou liberdade aos réus, por razões de periculosidade. Além dos executores, houve investigação sobre a estrutura de comando do crime organizado.
Reivindicações e ações
Hoje, o movimento busca a reabertura de inquéritos, memória institucional e uma perícia independente desvinculada da SSP. A meta é responsabilizar o Estado e impedir a repetição de violações.
No Congresso, tramita a Lei Mães de Maio, que trata de transparência policial e acolhimento às vítimas de violência estatal. O CNVV foi criado como política pública de atendimento psicossocial às famílias.
O papel do Estado e perspectivas
Autoridades reconhecem falhas das forças de segurança no enfrentamento do crime organizado. O promotor Lincoln Gakiya aponta impactos da crise de 2006, que influenciam estratégias e o equilíbrio entre segurança pública e direitos.
O episódio teve início com a transferência de detentos para uma penitenciária de segurança máxima, seguida por ataques em 74 unidades prisionais. A mobilização interessou também a sociedade civil e organismos internacionais.
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