- O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito, no fim de janeiro, para apurar irregularidades em contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro.
- O acordo previa a instalação, operação e manutenção de cinco mil pontos de acesso à internet na periferia da capital por doze meses, com entrega prevista para junho de 2025, mas a prefeitura já admitiu que não foi finalizado.
- A ONG pertence à empresária Karina Ferreira Gama, sócia única da Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme, que tem o mesmo endereço comercial da ONG em São Paulo.
- O vereador Nabil Bonduki sustenta que houve chamamento público com apenas uma participante e aponta indícios de superfaturamento de mais de R$ 27 milhões; o MP investiga possível improbidade, enriquecimento ilícito e danos ao erário.
- A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que a licitação foi transparente e que já foram instalados 3.200 pontos, com outros 1.800 previstos para 2026; há controvérsias sobre o andamento e aditivos contratuais já firmados.
O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito no final de janeiro para apurar irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil. O acordo previa a instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet na periferia da capital por 12 meses.
A ONG pertence a Karina Ferreira Gama, sócia única da Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme sobre Jair Bolsonaro. As empresas têm o mesmo endereço na Avenida Paulista. A denúncia que originou o inquérito partiu do vereador Nabil Bonduki (PT). A SMIT sustenta que o chamamento público foi transparente e sem contestações.
O prazo original para entrega dos 5 mil pontos era junho de 2025, mas a prefeitura admite que apenas 3.200 pontos foram instalados até hoje. Segundo o MP, já há ao menos três aditivos contratuais que alteraram datas de entrega e podem indicar necessidade de aprofundar a apuração sobre improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e danos ao erário.
O que dizem as partes
A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que os 1.800 pontos restantes devem ser instalados até o fim de 2026. A pasta reforça que o processo foi aberto por meio de chamamento público e que a ONG cumpriu as exigências do edital, com a prestação de serviço em andamento em 3.200 pontos.
Bonduki sustenta que houve pouca concorrência no chamamento público e aponta indícios de direcionamento. O MP investiga o contrato também no Tribunal de Contas do Município, com a apuração para verificar possíveis irregularidades, danos ao erário e enriquecimento ilícito. A prefeitura não retornou com respostas até a última atualização.
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