- Renata Falzoni, vereadora de São Paulo, defende tornar a cidade mais amigável a ciclistas e pedestres, criticando a prioridade dada aos automóveis na arquitetura urbana.
- Ela cita o parklet como exemplo de ocupação do espaço público por estabelecimentos, em vez de uso coletivo, e defende mudança de mentalidade para ampliar mobilidade urbana ativa.
- A proposta Vaga Verde transforma vagas de estacionamento em jardins permeáveis com árvores e drenagem urbana, para compensar déficit de cerca de 450 mil árvores.
- Dados da entrevista apontam aumento de viagens de bicicleta de 0,8% para 1,2% entre 2017 e anos recentes, mas investimentos no modal ainda são insuficientes e fundos do Fundurb têm ido para obras de asfaltamento.
- Falzoni destaca a falta de conexão entre ciclovias e ciclofaixas e ressalta auditoria que mapeou falhas em 740 quilômetros de rede; também cita crescimento de insegurança no trânsito e defende maior fiscalização.
Renata Falzoni, vereadora de São Paulo, defende mudanças profundas na ocupação do espaço urbano para tornar a cidade mais amigável a ciclistas e pedestres. Em entrevista ao VEJA+Verde, ela aponta que a cidade ainda privilegia automóveis, apesar dos avanços na mobilidade ativa.
Ela avalia que a lógica de uso do espaço público favorece carros e motos, em detrimento de pedestres, ciclistas e transporte coletivo. Segundo Falzoni, a indústria automobilística acabou influenciando a cultura urbana e o desenho das vias, com exemplos como os parklets perdendo função comunitária.
Para a vereadora, andar de bicicleta está ligado ao combate às mudanças climáticas e à qualidade de vida. Ciclistas percebem impactos ambientais, como calor, poluição e arborização, de forma direta pela experiência de pedalar pela cidade.
Vaga Verde
Entre as propostas, está o projeto Vaga Verde, inspirado em iniciativas de Paris. A ideia é transformar vagas de estacionamento em pequenos jardins permeáveis com árvores e drenagem urbana. São Paulo tem déficit de cerca de 450 mil árvores a serem plantadas.
A iniciativa busca ampliar a resiliência climática e humanizar as vias, conectando mobilidade ativa e bem-estar urbano. Falzoni sustenta que a recuperação desses espaços favorece a adaptação ao calor e à impermeabilização do solo.
Dados da entrevista mostram aumento da participação de viagens de bicicleta de 0,8% para 1,2% do total, entre 2017 e anos recentes. Mesmo assim, a expectativa é de investimentos maiores na mobilidade ativa.
Infraestrutura Cicloviária
A vereadora ressalta avanços, mas aponta falhas graves na conexão entre ciclovias e ciclofaixas. Uma auditoria cidadã percorreu 740 quilômetros de estruturas para mapear problemas de manutenção e interrupções.
Conectar trechos interrompidos exige reduzir espaço viário aos carros, afirma Falzoni, destacando a importância de planejamento integrado entre vias, calçadas e corredores de transporte público.
Segurança no trânsito
O aumento da invasão de ciclovias por motocicletas é citado como principal desafio de segurança. Falzoni atribui a situação à fiscalização insuficiente e à sensação de impunidade, defendendo regras mais rigorosas no trânsito.
Segundo a vereadora, a fiscalização atua não apenas nas ciclovias, mas também em estacionamentos irregulares, obras e travessias de pedestres, contribuindo para um ambiente mais ordenado.
Interparks e uso de parques
Entre os projetos, a trilha Interparks conecta dez unidades de conservação da zona sul, totalizando cerca de 180 quilômetros para ciclistas e caminhantes. A iniciativa integra a Rede Brasileira de Trilhas e visa ecoturismo local.
Falzoni afirma que parques públicos devem manter função pública, com limites à exploração comercial excessiva. Ela cita o Ibirapuera como exemplo e reforça que o parque não deve funcionar como shopping.
O VEJA+Verde é apresentado pela equipe da publicação, reunindo gestores, empresários e especialistas para discutir soluções de mobilidade, meio ambiente e desenvolvimento urbano. O programa vai ao ar semanalmente e está disponível em plataformas de assinatura.
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