- Uma tese de doutorado da USP investiga como o policiamento orientado por dados pode reproduzir desigualdades raciais, chamando atenção para o uso de dados na prevenção de crimes.
- O estudo compara a Polícia Militar de São Paulo e o Departamento de Polícia de Nova York, destacando semelhanças e diferenças na incorporação de tecnologias.
- Em Nova York, a vigilância com sensores, leitores de placa e reconhecimento facial vem desde a década de setenta, com foco em bairros majoritariamente não brancos.
- Em São Paulo, o foco de fiscalização está mais em áreas centrais para controlar a circulação de pessoas, o que resulta em maior vigilância de pessoas negras em determinados locais.
- A pesquisadora afirma que as inovações tecnológicas tendem a legitimar a atuação policial, mantendo padrões de violência estatal e desigualdade no tratamento de populações periféricas e negras.
Uma tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP analisa como o uso de dados no policiamento pode reproduzir desigualdades raciais. O estudo utiliza o que chama de policiamento orientado por dados para examinar impactos.
A pesquisadora Letícia Pereira Simões Gomes conduz o trabalho, comparando a Polícia Militar de São Paulo e o Departamento de Polícia de Nova York. Ela aponta semelincidências entre as preocupações das duas corporações em cidades de grande porte.
A investigação começou com métodos qualitativos, com entrevistas e análise de documentos. Posteriormente, houve aplicação de questionários remotos a policiais norte-americanos, ampliando o conjunto de evidências.
Origens e funcionamento
O policiamento orientado por dados utiliza grande volume de informações para guiar ações de vigilância. Em Nova York, técnicas já eram utilizadas desde os anos 70, incluindo sensores, leitura de placas e reconhecimento facial.
A pesquisadora ressalta que a vigilância em NY envolve bairros com maioria não branca, levando a uma produção de dados desiguais entre grupos sociais e territórios. Segundo ela, isso molda memórias coletivas sobre pessoas.
Diferenças para São Paulo
Em São Paulo, o foco não é apenas vigiar áreas marginalizadas, mas monitorar centros urbanos para controlar a circulação de pessoas. Esse approach pode intensificar a vigilância de pessoas negras em locais considerados fora do lugar.
A autora aponta ainda que a cidade utiliza vários sistemas — Copom On-line, Muralha Paulista e Infocrim — como parte dessas ferramentas. Esses recursos ajudam a justificar, segundo ela, a atuação policial.
Implicações e debate
Segundo a pesquisadora, as inovações tecnológicas legitimam a atuação policial sem romper com modelos de violência de Estado e desigualdade regional. Enquanto promovem modernização, também reforçam práticas de controle social.
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