- Spencer Pratt, candidato a prefeito de Los Angeles, utilizou o debate da campanha para atacar rivais e apresentar a ideia de um “super meth” como ameaça, algo que não é reconhecido pela comunidade científica.
- Especialistas dizem que o termo não corresponde a uma substância real e que a narrativa funciona como propaganda de medo sobre drogas.
- Durante a campanha, Pratt criticou planos de tratamento para usuários sem-teto, sugerindo que eles buscam fentanyl ou “super meth” em vez da cama.
- Especialistas explicam que o P2P meth já existe há anos e não é mais perigoso ou diferente de outras formas de metanfetamina, apenas variações do mesmo composto.
- A discussão sobre drogas não é a única: Pratt aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás da prefeita Karen Bass, com a estratégia de enfatizar crises de moradia e segurança pública.
Spencer Pratt, nome conhecido de reality show, é candidato a prefeito de Los Angeles nesta eleição e ganhou a atenção após seu desempenho no debate da semana passada, centrando-se em segurança pública. Ele criticou adversários por não atender aos moradores em situação de rua com foco no uso de drogas, propondo ações de coercitividade.
O ex-vilão da série The Hills alegou haver um problema com “super meth” ao atacar a proposta de expansão de tratamento para dependentes apresentada pela rival Nithya Raman. Pratt prometeu visitar áreas com alta concentração de pessoas sem teto para mostrar o que chama de falhas da política atual.
A disputa envolve também a atual prefeita Karen Bass, com Pratt mantendo discurso de linha dura. Em geral, ele apresenta visões sombrias sobre a cidade, associando a crise de droga a um cenário de colapso urbano, repetindo o termo amplamente difundido em sua campanha.
O que é “super meth” e por que não é real
Especialistas ouvidos por veículos de ciência clínica dizem que o termo não corresponde a uma categoria reconhecida. A expressão é usada em tom alarmista para simplificar um problema de saúde pública, sem fundamentação técnica.
Médicos e pesquisadores ressaltam que a dependência de metanfetamina é complexa e envolve fatores como instabilidade econômica, moradia precária e acesso a tratamento. A ideia de uma nova substância não encontra respaldo em documentação clínica ou científica.
A análise aponta que a forma predominante do composto na oferta nos EUA já é conhecida há anos. Mudanças de produção técnicas não configuram uma mudança de natureza do uso de metanfetamina nem criam um novo tipo com efeitos drasticamente diferentes.
Especialistas destacam que políticas públicas eficazes envolvem educação, redução de danos, centros de consumo supervisionado, além de tratamento, saúde mental e moradia estável. Tais abordagens contrastam com a retórica de pânico associada a termos como “super meth”.
Pratt não respondeu oficialmente a pedidos de comentário sobre a definição de “super meth” ou a origem dessa terminologia em sua campanha. A campanha segue com foco em endurecimento de políticas sem apresentar propostas baseadas em evidência.
A cobertura analítica aponta que a narrativa de um novo tipo de droga pode desviar o debate de soluções comprovadas para a crise de moradia e dependência. Pesquisadores recomendam manter o foco em intervenções verificáveis em saúde pública, sem demonizar populações vulneráveis.
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