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SPIW: jornalismo volta à essência para enfrentar deepfakes e notícias falsas

Especialistas alertam que deepfakes podem dominar eleições; jornalismo deve checar melhor e retomar sua essência para combater a desinformação

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  • Debate no São Paulo Innovation Week discutiu o impacto de conteúdos sintéticos, como deepfakes, na produção e divulgação de informações.
  • Participaram Renato Franzini, diretor de redação do G1, e Bruna Arimathea, repórter do Estadão; a mesa foi mediada por Byron Mendes.
  • O Estadão mantém o núcleo Verifica, criado em 2018, para checagem de informações e combate à desinformação.
  • Bruna destacou a facilidade de produzir imagens sintéticas com IA e a necessidade de fortalecer a checagem, pois a imagem já não é prova única de veracidade.
  • Franzini afirmou que não basta a tecnologia; é preciso um jornalismo mais robusto; há exemplo de uma imagem de avião pegando fogo no México que foi desmentida após checagem detalhada.

O debate sobre deepfakes e conteúdo sintético ganhou destaque no São Paulo Innovation Week, promovido pelo Estadão. Na mesa IA, verdade e confiança: jornalismo, eleições e a crise do conteúdo sintético, foram discutidos impactos da inteligência artificial na produção e divulgação de informações. Participaram Renato Franzini, diretor de redação do G1, e Bruna Arimathea, repórter do Estadão.

A conversa mostrou que o avanço rápido das plataformas de IA facilita a criação de imagens e vídeos manipulados, o que aumenta a necessidade de checagem criteriosa. Lembraram que o jornalismo caminha para reforçar procedimentos de verificação para manter a credibilidade diante do aumento da velocidade de disseminação nas redes.

Franzini destacou a possibilidade de maior volume de deepfakes em eleições futuras, especialmente pela redução de custos e melhoria na qualidade. Bruna observou que desinformação já é fácil de construir e que a imagem, outrora atestado de veracidade, já não basta para comprovar um fato.

A repórter citou um exemplo recente de produção de imagens sintéticas e afirmou que confiar apenas na imagem não é mais seguro. O desafio, segundo ambos, é consolidar o core do jornalismo com processos de checagem mais rigorosos diante das novas tecnologias.

Caso prático e lições para redações

Franzini contou sobre uma checagem durante violência no México, quando uma foto de avião em chamas passou por verificação inicial como verdadeira. Ao aprofundar a análise, percebeu-se que a imagem havia sido gerada por IA, levando à publicação de que a foto era falsa após confirmação com fontes independentes.

O episódio ilustra a importância de confirmar dados com múltiplas fontes antes de divulgar, mesmo diante de pressão por cobertura rápida. A discussão reforça a ideia de que jornalismo responsável depende de processos de verificação robustos, não da velocidade isoladamente.

Sobre o evento e seus impactos

O São Paulo Innovation Week envolve mais de 2 mil palestrantes nacionais e internacionais e ocorre entre os dias 13 e 15, reunindo especialistas de áreas diversas como ciência, saúde e geopolítica. O objetivo é debater inovação, tecnologia e seus impactos na sociedade, com foco na qualidade da informação.

Bruna e Franzini concluíram que a tecnologia por si só não resolve o desafio. A melhoria do jornalismo passa pela revisão de práticas editoriais, ética factual e checagem aprimorada, mantendo o conteúdo confiável em um cenário com recursos sintéticos cada vez mais acessíveis.

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