- Governo Lula 3º mandato acumula recuos em medidas que geraram rejeição política, social ou de mercado.
- Saque-aniversário do FGTS foi alvo de propostas de extinção, mas o Planalto recuou diante da reação de bancos, Congresso e trabalhadores.
- Em 2023, o grupo de trabalho sobre o novo RG discutiu excluir campos de sexo e nome social, mas decidiu manter identificação de sexo no documento.
- Na MP 1.202/2023, o governo revogou trechos sobre a reoneração da folha de pagamento, mantendo apenas a parte de compensação tributária.
- O “pixgate” e a reação nas redes levaram a reversões na área de comunicação, com a revogação de normas sobre o monitoramento de movimentações no Pix.
Desde o início do terceiro mandato, o governo de Lula tem recuado em diversas medidas após pressões políticas, populares e do Congresso. A ideia era ajustar rumos, evitar desgaste e preservar apoio.
Entre as mudanças, houve recuo em propostas que geravam forte reação nas redes e nos setores econômicos. Os casos vão de reformas impopulares a ajustes de políticas já anunciadas.
O levantamento do Poder360 lista ações que foram anunciadas e, posteriormente, revistas ou revogadas por representarem risco político ou econômico.
Saque-aniversário do FGTS
O primeiro recuo importante ocorreu em 2023, quando o Ministério do Trabalho avaliou extinguir o saque-aniversário do FGTS. O plano enfrentou resistência de bancos e parlamentares, que temiam impactos no crédito habitacional e na proteção ao trabalhador.
Novo RG e sexo/nome social
Em 2023, o governo criou grupo para discutir excluir sexo e nome social do novo RG. Em dezembro, decidiu manter campos de sexo e nome social, seguindo o padrão anterior. A mudança resultou em controvérsia entre setores conservadores.
Folha de pagamentos e MP 1.202/2023
Em fevereiro de 2024, o governo revogou trechos da MP 1.202/2023 que tratavam da reoneração da folha. Dispositivos sobre compensação tributária seguiram vigentes. A decisão atendeu a negociações com o Congresso.
Aborto legal
No mesmo mês, o Ministério da Saúde voltou atrás em nota técnica sobre aborto legal, que previa marco temporal de 21 semanas. A suspensão ocorreu após críticas de oposição e setores conservadores, com a pasta alegando falta de consultoria jurídica.
Pixgate e redes sociais
Em janeiro de 2025, a Receita ampliou regras de monitoramento de movimentações para combater sonegação. A comunicação falhou, gerando desinformação de que haveria taxa sobre o Pix. A repercussão levou à revogação rápida das normas.
Biodiesel e mixagem obrigatória
Em janeiro de 2025, o governo congelou a alta da mistura de biodiesel no diesel, prevista para março. Em fevereiro, o CNPE manteve em 14% para evitar alta de preços, evitando choque no abastecimento.
Imposto sobre eletrônicos
Em fevereiro de 2026, houve alta temporária de imposto de importação sobre 1.000 produtos eletrônicos. Dias depois, o Camex zerou tarifas de 105 produtos. O recuo ocorreu após forte reação nas redes.
Taxa das blusinhas
Mais recente, o governo revogou a taxação de compras internacionais de baixo valor. A medida era alvo de críticas por encarecer itens populares, como roupas e eletrônicos de varejistas internacionais. A avaliação interna apontou desgaste político maior que o benefício fiscal.
O conjunto de recuos mostra um governo que ajusta políticas diante de desgaste público, pressão parlamentar e avaliação interna de custo político. As mudanças indicam estratégia de manutenção de apoio sem aprofundar conflitos.
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