- Em janeiro a março, Donald Trump ou seus assessores realizaram mais de 3.700 operações no mercado, segundo declarações financeiras divulgadas pelo Escritório de Ética Governamental.
- O volume soma dezenas de milhões de dólares, com mais de 40 negociações por dia, envolvendo empresas como Nvidia, Oracle, Microsoft, Boeing e Costco.
- As transações, listadas em mais de 100 páginas, reacenderam preocupações sobre conflitos de interesse, já que Trump não colocou seus ativos em um blind trust nem os alienou.
- A Trump Organization afirmou que as participações são geridas por instituições financeiras terceirizadas, com operações executadas por processos automatizados, sem participação do presidente ou de familiares.
- Embora o registro de investimentos tenha mostrado várias operações, mesmo com multas por atraso, o saldo geral e o impacto econômico permanecem em questão, gerando debates entre gestores de Wall Street sobre possíveis efeitos éticos e financeiros.
Mais de 3,7 mil trades em três meses: operações de Trump no mercado chamam atenção de Wall Street e ampliam dúvidas sobre conflitos de interesse. Documentos do Escritório de Ética Governamental dos EUA listam transações do presidente ou de seus assessores.
Nos primeiros três meses, Trump, ou quem gerencia seus investimentos, realizaram mais de 3.700 operações, totalizando dezenas de milhões de dólares. O ritmo divulgado excede o volume de declarações anteriores do próprio presidente.
As informações foram protocoladas em 14 de maio e somam mais de 100 páginas. Entre as empresas citadas estão Nvidia, Oracle, Microsoft, Boeing e Costco, além de marcas como eBay, Abbott, Uber, AT&T e Dollar Tree.
Transações e participantes
As operações envolvem o próprio presidente, familiares e a gestão de investimentos que não é realizada por blind trust. A organização do presidente afirma que instituições financeiras terceirizadas controlam as decisões, com automação para executá-las, sem participação direta de Trump ou de seus filhos.
Jared Kushner atua em investimentos vultosos para o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados, ao mesmo tempo em que cumpre funções diplomáticas na região. A Casa Branca não respondeu sobre potenciais conflitos de interesse, sinalizando que Trump age no interesse público.
Contexto e implicações
As declarações acendem críticas sobre a separação entre funções oficiais e interesses comerciais. Historicamente, presidentes buscaram blindagem para evitar conflitos. Técnicas de divulgação mais rigorosas foram reforçadas com leis como o STOCK Act, de 2012.
Entre os pontos destacados por analistas, a frequência elevada de negócios levanta dúvidas sobre o impacto dessas operações nas decisões do governo, sobretudo em setores regulados ou com participação de empresas envolvidas.
Repercussões e prazos
As transações de maior monta ocorreram em fevereiro, com vendas de participações em Microsoft, Meta e Amazon, estimadas entre US$ 5 milhões e US$ 25 milhões. Penalidades por atraso na divulgação são previstas, mas geralmente de baixo valor.
O artigo também aponta que, até o momento, o governo não divulgou qualquer ajuste formal sobre possíveis conflitos. A divulgação abre espaço para acompanhamento de gestores e investidores sobre impactos de eventuais oportunidades e riscos.
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