- O governo de Donald Trump tenta reduzir incentivos fiscais para energia renovável, pressionando o setor de solar e eólica.
- Licenças de construção que costumavam levar cerca de um mês estão demorando até um ano.
- Projetos devem começar a ser construídos até o 4 de julho para manter os créditos fiscais, que, segundo a Lei de Redução da Inflação, começariam a ser eliminados gradualmente apenas no fim de 2033.
- Desenvolvedores estão priorizando projetos viáveis, enquanto alguns são abandonados por falta de recursos ou tempo.
- A escassez de mão de obra, competições por equipamentos e atrasos na cadeia de suprimentos elevam custos e dificultam o financiamento.
O governo de Donald Trump ameaça o impulso do setor de energia renovável nos EUA ao retirar incentivos fiscais, ampliando o tempo de aprovação de licenças e elevando a incerteza financeira. O resultado é atraso na construção de parques solares e eólicos e maior pressão sobre o cronograma de projetos.
Dados da Cleanview indicam alta atividade: a capacidade solar em construção cresceu 50% desde o início de 2025, e os projetos eólicos subiram 60%. Desenvolvedores tentam acelerar obras para não perder créditos antes do término previsto.
A janela para obter créditos fiscais, antes previsto para encerrar gradualmente apenas em 2033 pela Lei de Redução da Inflação, está sendo comprimida por ações do governo. Estima-se que muitos projetos devem iniciar construção até 4 de julho para se qualificar.
Impactos e cenários
A acelerada corrida pelos créditos força cortes de portfólio: projetos inviáveis são abandonados para cumprir prazos, afirma o CEO Reagan Farr, da Silicon Ranch. A pressão surge em meio a previsão de crescimento da demanda elétrica nos EUA, com aumento projetado até 2050.
Segundo a ICF, a demanda por eletricidade deve subir 25% entre 2025 e 2030 e 78% até 2050, impulsionada por data centers, veículos elétricos e bombas de calor. A incerteza pública sobre licenças dificulta financiamentos, segundo o setor.
Desafios da cadeia de suprimentos
Licenças de construção podem exigir aprovação mesmo em terras privadas se conectarem a subestações em áreas públicas, aponta o CEO da VDE. O tempo de emissão, antes de um mês, pode se estender a até um ano sob a atual postura regulatória.
A dificuldade se agrava pela competição por equipamentos e pela escassez de mão de obra qualificada. A fabricante Heliene relata demanda crescente, enquanto pequenos e médios investidores enfrentam fluxo de caixa apertado para antecipar compras.
Transformadores e outros componentes cruciais enfrentam prazos longos, com entregas que podem levar até 18 meses. Isso impede o financiamento de projetos de grande porte, alerta o CEO da Aspen Power, Jorge Vargas.
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