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Biógrafo da Globo afirma que Lula não podia ser citado na emissora

Biógrafo diz que Lula era censurado na Globo no início da carreira sindical; a relação se tornou pragmática e ideológica ao longo dos anos

Ernesto Rodrigues considera que quando Lula era o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, o nome do petista foi “censurado” pelo “significado dele como líder”
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  • Ernesto Rodrigues afirma que, no início, o nome de Lula era “censurado” na televisa Globo, associando o petista ao líder de greves no ABC paulista e às tensões econômicas de São Paulo.
  • Segundo o biógrafo, Lula não tinha voz quando presidia o Sindicato dos Metalúrgicos e as edições locais evitavam pronunciar o nome do líder, protegendo a imagem associada às greves.
  • A relação entre Lula e a Globo teria mudado após a ditadura, especialmente durante a campanha Diretas Já, com a cobertura passando a ser mais aberta conforme o contexto político.
  • Em 2002, a Globo teria se profissionalizado e buscado apoio do governo do PT para enfrentar dificuldades financeiras, com Palocci citado como interlocutor-chave.
  • A relação atual é descrita como pragmática, porém ideológica, com a emissora mantendo posições contrárias a determinados argumentos do governo, sem deixar de defender o formato democrático de cobertura.

O escritor e jornalista Ernesto Rodrigues afirma que Lula começou sua relação com a TV Globo como um nome a não ser pronunciado. A afirmação está no livro A Globo: Metamorfose, lançado em 30 de abril pela editora Grupo Autêntica, último volume da trilogia sobre a emissora.

Segundo Rodrigues, quando Lula presidia o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o petista era apresentado com censura pelo próprio significado de líder, especialmente por greves que impactaram a economia paulista. Alega que a imagem dele estava associada a esse contexto de mobilização.

A narrativa sustenta que a relação entre Lula e a Globo mudou após o fim da ditadura militar, com a trajetória marcando um ponto de inflexão durante as Diretas Já. Em momentos anteriores, a cobertura seria menos engajada na oposição, conforme o autor.

Rodrigues também afirma que, no auge da crise financeira da Globo em 2002, o governo do PT teria oferecido apoio para a empresa superarem dívidas, citando o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci como elo entre governo e emissora. A relação teria ganhado nova dinamicidade naquele período.

Para o autor, a partir do Mensalão, a Globo passaria a adotar postura mais combativa e passou a atuar de forma mais oposicionista, segundo a leitura apresentada em A Globo: Metamorfose. O relatório do livro acompanha a evolução da cobertura entre 1999 e 2025.

Em entrevista, Rodrigues sustenta que a relação atual entre Lula e a Globo é pragmática, mas ainda carrega dimensões políticas. O jornalista afirma que a emissora apresenta diferentes visões de temas como ajuste fiscal, mantendo o jogo democrático e o direito de apontar críticas.

A obra A Globo: Metamorfose encerra a trilogia que já abordou os períodos 1965 a 1984 e 1985 a 1998, respectivamente. Rodrigues já atuou como editor de telejornais e programas da Globo e publicou obras sobre Ayrton Senna e o jornalismo brasileiro.

  • Contexto e trajetória: o livro revisita décadas de cobertura da Globo, incluindo fases de aproximação e distanciamento com o poder político.
  • Interlocuções: o texto menciona a figura de Palocci como ponte entre governo e emissora em certo momento, conforme a leitura do autor.
  • Atualidade: a análise sustenta que a relação entre Lula e a Globo reflete um equilíbrio entre interesses institucionais e posicionamentos editoriais.

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