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Casal dinamarquês usa pesquisa africana para moldar política de RFK Jr. sobre vacinas

Grupo dinamarquês de Aaby e Benn ganha influência na política de vacinas de RFK Jr., levantando dúvidas éticas e impactos em financiamentos globais

Photograph: Tom Williams/Getty Images
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  • Pesquisadores dinamarqueses Peter Aaby e Christine Stabell Benn defendem que vacinas teriam efeitos não específicos, além da proteção imediata contra as doenças almejadas, e que vacinas com vírus ou germes inativados poderiam aumentar a mortalidade, especialmente entre meninas.
  • O tema ganhou tração nos EUA após a nomeação de Robert F. Kennedy Jr. para chefiar a saúde pública, levando a críticas e ao alinhamento com posições anti-vacinas.
  • Kennedy citou trabalhos de Aaby para justificar cortes significativos em apoio a Gavi, o que poderia afetar milhões de doses e causar mortes evitáveis segundo estimativas da organização.
  • Na Dinamarca, especialistas questionam métodos e a ética das pesquisas, com investigações em andamento sobre possíveis falhas de divulgação de dados, conflitos de interesse e impactos nas políticas de vacinação.
  • Um estudo financiado pelo governo dos EUA para testar se a dose de nascimento da vacina contra hepatite B pode enfraquecer o sistema imune está em pausa, enquanto autoridades sanitárias de Guinea-Bissau e da África avaliam questões éticas e de supervisão.

Aaby e Christine Stabell Benn, pesquisadores dinamarqueses, defendem há décadas que vacinas causam efeitos não específicos que podem influenciar a sobrevivência infantil. Eles estudaram populações em Guiné-Bissau, com foco em DTP, BCG e outras vacinas.

A dupla argumenta que vacinas vivas atenuadas elevam a sobrevida, enquanto vacinas inativadas ou fragmentos virais podem aumentar mortalidade, especialmente entre meninas. Suas conclusões geraram ceticismo entre cientistas e órgãos internacionais.

O tema ganhou atenção na era de Robert F. Kennedy Jr., que passou a endossar visões dos pesquisadores. Kennedy, ao chefiar a saúde no governo dos EUA, citou estudos para defender mudanças na política de vacinas, gerando polêmica.

Em 2023, Kennedy promoveu um conjunto de recomendações para testar e regular vacinas considerando efeitos não específicos. Essa linha levou a críticas de especialistas que veem excesso de influência de interesses políticos.

A hybris de Kennedy culminou na decisão de reduzir em dezenas de bilhões de dólares o apoio a Gavi, organização global de imunização, com estimativa de mortes evitáveis no longo prazo. O congelamento de recursos é alvo de críticas.

A comunidade científica dinamarquesa reagiu com ceticismo. Pesquisadores afirmam que Benn e Aaby utilizam métodos não convencionais e conclusões que parecem ajustadas a hipóteses pré-estabelecidas, alimentando dúvidas éticas.

Controvérsia científica

Em paralelo, a ética de estudos financiados para teste de hepatite B em recém-nascidos em Guiné-Bissau é tema de apuração. Autoridades locais e internacionais questionam se a omissão de doses de vacina ocorreu de forma adequada.

O laboratório dinamarquês Bandim Health Project, ligado a Benn, recebeu recursos para investigar efeitos da vacinação, o que gerou debates sobre éticas internacionais e práticas de pesquisa em países de baixa renda.

Danos à credibilidade dos autores também foram apontados por críticos que destacam dados não publicados ou retrabalhados, além de questionamentos sobre a replicação de resultados em diferentes contextos populacionais.

O impacto político nos EUA envolve a avaliação de como pesquisas independentes podem influenciar decisões sobre agenda vacinal, especialmente em temas sensíveis como doses iniciais e combinações de vacinas.

Em resposta, representantes de instituições dinamarquesas afirmam que as pesquisas seguem padrões éticos e técnicos, mas reconhecem a necessidade de maior transparência e supervisão externa.

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