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Desafios do projeto de benefícios para pacientes com doenças graves

Projeto garante atendimento prioritário a pacientes com doenças graves mediante carteirinha emitida pelo SUS; segue para votação na Câmara e no Senado

Ninguém pode tratar uma pessoa de uma forma privilegiada em detrimento de outra se não existir uma condição específica que indique a necessidade de uma prerrogativa Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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  • A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que garante benefícios a pacientes com doenças graves, crônicas ou em recuperação de cirurgia de grande porte, mediante carteirinha emitida pelo SUS.
  • O texto prevê atendimento prioritário em serviços públicos e, em alguns casos, em serviços privados, quando a condição de saúde exigir urgência ou prioridade.
  • Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.
  • O professor Marcus Orione explica que a ideia é usar a igualdade material para assegurar prerrogativas em situações de desvantagem de saúde, como transporte e acesso a serviços.
  • A implementação efetiva enfrenta desafios de recursos públicos e depende de mobilização política, com possibilidade de atuação do Judiciário e do Ministério Público para fazer valer a norma.

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que assegura benefícios a pacientes com doenças graves, crônicas ou em recuperação de cirurgias de grande porte. O texto garante atendimento prioritário mediante carteirinha emitida pelo SUS. A proposta ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado para virar lei.

Segundo Marcus Orione, professor da USP, os benefícios vão permitir prioridade em serviços públicos e privados quando a condição de saúde exigir maior urgência. Ele ressalta que a medida busca reduzir desigualdades entre pacientes com doenças graves e a população em geral, principalmente em filas e atendimentos.

O projeto também aborda situações em que a saúde do paciente está estável, mas ainda assim demanda tratamento diferenciado. A ideia é evitar que pessoas em estado mais delicado fiquem em desvantagem em diferentes contextos, como transporte, bancos e serviços públicos.

O que a legislação prevê

Orione explica a diferença entre igualdade formal e igualdade material. Enquanto a primeira garante tratamento idêntico, a segunda admite privilégios justificados pela necessidade específica. O conceito já existe no Brasil para grupos como gestantes e idosos, inclusive em filas de serviços.

Na prática, a proposta busca compatibilizar direitos com a situação clínica do paciente. O objetivo é assegurar prerrogativas que não representam privilégio, mas reconhecimento de maior urgência em tratamentos médicos, filas e acesso a serviços.

Perspectiva médica

Marco Andrey Frade, da USP de Ribeirão Preto, ressalta a importância de consolidar direitos por meio de lei. Segundo ele, o respaldo legal reforça a relação médico-paciente e facilita a decisão informada sobre procedimentos ou medicações.

O médico destaca o desafio técnico de traduzir a linguagem da lei para o paciente. Mesmo com o dispositivo, é necessário que profissionais traduzam o conteúdo para a prática clínica, mantendo a clareza na comunicação.

Como cobrar a aplicação da lei

Orione afirma que a implementação plena pode exigir esforço político continuado e atuação judicial quando necessário. Em alguns casos, pronunciamentos do Ministério Público podem buscar resultados mais rápidos, especialmente em políticas de saúde.

Ele reforça que leis já existentes, como o Estatuto da Pessoa Negra, mostram que promessas costumam exigir mobilização social para alcançar a implementação efetiva. A viabilidade depende do compromisso de governos em todos os níveis.

Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira

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