- Espanha proibiu símbolos franquistas, mas ainda existem bares e restaurantes que glorificam o ditador, como Una Grande Libre em Madrid, El Cangrejo em Ciudad Real e Casa Pepe em Despeñaperros.
- Esses locais exibem retratos de Franco, símbolos da Falange e memorabilia ligada ao regime; o proprietário de Una Grande Libre, Xiangwei Chen, ficou conhecido como “el chino facha”.
- Muitos desses estabelecimentos integram a Ruta 36, uma rota de motéis/pontos de parada; em alguns, quem visita ganha o prato grátis se coletar carimbos de cada bar.
- A Lei de Memória Democrática de 2022 prevê a remoção de símbolos que glorifiquem a ditadura, mas a aplicação é lenta e depende da tomada de ações pelo Ministério da Memória Democrática.
- Há avanços, como a requalificação do Valle de los Caídos e planos de um museu, mas a presença de bares franquistas continua a simbolizar dificuldades na implementação histórica da memória na Espanha.
Desde 2022, a Espanha aprovou a Lei da Memória Democrática para eliminar símbolos que enalteçam o regime de Franco em espaços de acesso público. No entanto, bares e restaurantes que exibem imagens e itens ligados ao ditador continuam a existir em diferentes regiões.
A reportagem identifica locais próximos a estradas que exibem símbolos, retratos e peças de mobiliário com referências ao franquismo. Em Madrid, o bar- restaurante Una Grande Libre exibe falas e imagens do período, com uma foto grande do ditador na fachada e símbolos nacionais nas paredes internas.
Casas como El Cangrejo, em Ciudad Real, e Casa Pepe, em Despeñaperros, apostam em decorações com as cores da bandeira espanhola, além de itens históricos relacionados à Falange e ao Águia de San Juan. Em muitos casos, há itens de memória ligados ao regime.
Entre as particularidades observadas, destaca-se a presença de objetos de consumo que remetem ao franquismo, como itens de mercearia com marcas do período, além de lojas anexas vendendo memorabilia. Em algumas redes, a rota de visitação dá-se pelo turismo de nostalgia.
O caso de Una Grande Libre chama atenção por ter um proprietário estrangeiro, Xiangwei Chen, um imigrante chinês. Ele já gerou controvérsia ao nomear o filho de Franco e a língua do local alterna entre celebração e ambiguidade histórica, segundo relatos de moradores.
A lei foi objeto de debate público quando foi anunciada para extinguir a Fundação Francisco Franco, alvo de disputas legais. Em 2026, o governo espanhol assinou a resolução para dissolver a fundação, consolidando parte dos objetivos da legislação, mas a implementação permanece lenta.
Especialistas ouvidos destacam que a aplicação prática da lei depende de ações do Ministério da Memória Democrática. O andamento de investigações, a remoção de símbolos em locais de acesso público e a identificação de corpos em rasos de memória ainda enfrentam entraves burocráticos e políticos.
A presença de símbolos franquistas em estabelecimentos de alimentação evidencia a complexidade do processo de reconciliação histórica na Espanha. A continuidade desses espaços sugere que mudanças estruturais na memória pública continuam em curso, mesmo após avanços legais.
Entre na conversa da comunidade