- No ano passado, a área de Barcelona atraiu 26 milhões de visitantes, alta de 2,4% em relação a 2024.
- José Antonio Donaire foi nomeado o primeiro comissário de turismo sustentável da cidade, marcando uma mudança de postura sobre o turismo.
- A Boquería deve voltar a vender principalmente produtos frescos, com banimento de lanches para viagem e mudanças esperadas em até um ano.
- Em 2028 serão revogadas licenças de cerca de 10 mil apartamentos turísticos, com objetivo de que a maior parte retorne ao mercado de aluguel residencial.
- Medidas incluem reduzir turismo em áreas não preparadas, banir pub crawls organizados e investir parte da taxa turística no centro, para fortalecer o comércio local.
O municipio de Barcelona nomeou José Antonio Donaire como o primeiro comissionado para turismo sustentável, sinalizando uma mudança de estratégia frente ao turismo de massa. No último ano, a região recebeu 26 milhões de visitantes, aumento de 2,4% em relação a 2024. A meta é reconfigurar o turismo para reduzir impactos sobre a vida local.
Donaire atua com base em uma visão de que o turismo precisa deixar de ser encarado como benefício inquestionável e passar a ser gerido para evitar a alienação de moradores e a erosão da identidade da cidade. Ele defende que, no curto prazo, é possível transformar o perfil de visitação sem necessariamente reduzir números.
O comissionado aponta que as mudanças dependem de ações coordenadas com agentes externos como porto, aeroporto, companhias aéreas e grandes operadoras, que nem sempre seguem a mesma linha. Entre as prioridades está a recuperação da La Boquería, icônica praça de alimentação, para priorizar venda de produtos frescos em detrimento de lanches para viagem.
Medidas e metas
A estratégia envolve reduzir a concentração de turismo em áreas não preparadas para o fluxo de visitantes e incentivar a circulação em bairros mais residentes. Em 2017, a prefeitura já havia imposto uma moratória a novos hotéis no centro, dificuldade que se intensificou com o crescimento de alugueis de temporada.
Entre as propostas, está a revogação de licenças de cerca de 10 mil imóveis turísticos até 2028, com a expectativa de que a maior parte retorne ao aluguel residencial, mitigando a crise habitacional. A prefeitura admite que não houve resultados imediatos idênticos aos de Nova York, que restringiu imóveis turísticos, mas trabalha com incentivos para que proprietários tragam imóveis de volta ao mercado tradicional.
Segundo Donaire, o estoque habitacional cresce hoje em torno de 2 mil moradias novas por ano. A prefeitura avalia que a chegada de imóveis residenciais suficientes pode, ao longo de cinco anos, equivaler a esse ganho anual de oferta de moradia.
O comissionado também destaca a necessidade de mudar o perfil de visitante, não apenas reduzir números. Cerca de 65% dos visitantes são classificados como lazer, enquanto o restante participa de conferências ou vem em busca de museus, arquitetura e festivais. O objetivo é evitar turismo em áreas não preparadas para o impacto.
Além disso, Barcelona revisa políticas para coibir comportamentos antisociais, incluindo a proibição de roteiros de bares organizados. Parte dos recursos da nova taxação turística será investida no centro da cidade, visando estimular o comércio local, ainda dominado por lojas de conveniência, souvenirs e estabelecimentos de cannabis.
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