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Governo da Noruega propõe banir menores de 16 anos das redes sociais

Noruega avança com lei que proíbe cadastros de menores de dezesseis em redes sociais, exigindo verificação de idade pelas plataformas a partir de 1º de janeiro do ano em que completarem dezesseis

Primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre: intenção é proteger crianças e adolescentes das "Big Techs". (Foto: EFEEPAANDY RAIN POOL)
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  • A Noruega vai apresentar ao Parlamento, até o fim de 2026, um projeto para proibir o cadastro de menores de dezesseis anos em redes sociais, transferindo a verificação de idade para as plataformas.
  • A nova regra prevê que o acesso só seja permitido a partir de 1º de janeiro do ano em que o jovem completar dezesseis anos, para evitar disparidades entre colegas.
  • Dados noruegueses mostram que, mesmo com limite de treze anos em vigor, 51% das crianças de nove a dez anos e 74% de onze a doze já têm contas em redes sociais.
  • O movimento é global: Austrália já proibiu menores de dezesseis anos em várias plataformas; Indonésia seguiu; França, Dinamarca, Espanha e Reino Unido avaliam medidas semelhantes; a União Europeia testa verificação de idade com tecnologia de prova de zero conhecimento.
  • Pesquisas indicam dificuldades de implementação: 46% das crianças já sabem contornar controles, por métodos como data de nascimento falsa, uso de documento de irmão ou reconhecimento facial enganado; 32% admitem contornar, e há relatos de envolvimento de pais em alguns casos.

A Noruega pretende apresentar ao Parlamento até o fim de 2026 um projeto de lei para proibir o cadastro de menores com menos de 16 anos em redes sociais. A medida foi anunciada pelo primeiro-ministro Jonas Gahr Støre, do Partido Trabalhista, como forma de proteger as crianças.

Segundo Støre, expor o cérebro de jovens a algoritmos de tecnologia avançada é inadequado e responsabiliza menos os pais. O governo sustenta que a verificação de idade passaria a ser obrigação das plataformas, com sanções para quem não cumprir.

A proposta muda a regra atual, que liberava acessos com 16 anos ou menos mediante dados falsos. O novo texto prevê liberação a partir do 16º aniversário, com a contagem começando no ano em que o jovem completar 16, para evitar disparidades.

Contexto e dados nacionais

Dados noruegueses mostram atraso na proteção: 51% das crianças de 9 a 10 anos e 74% de 11 a 12 já têm contas em redes sociais, mesmo com o limite de 13 anos em vigor. Quando chegam aos 14, a maioria já está on-line.

A legislação vigente não impediu a criação de contas com nascimento falso. O projeto atual pretende reduzir essa possibilidade ao depender de mecanismos do Digital Services Act da União Europeia.

Movimento global e respostas

A Noruega não está isolada. A Austrália já proibiu menores de 16 anos no Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X desde dez/2025, desativando milhões de contas. Indonésia seguiu em mar/2026.

Na Europa, França, Dinamarca, Espanha e Reino Unido avaliam medidas semelhantes. A Comissão Europeia testa um sistema de verificação com tecnologia de zero-knowledge proof em cinco países, incluindo a Itália.

Essa tendência ocorre em 72 Estados que discutem ou já aprovaram medidas parecidas. O objetivo é reduzir a exposição de menores aos algoritmos que prendem a atenção on-line, alterando a relação entre governos, plataformas e famílias.

Desafios e críticas

Uma pesquisa britânica indica que 46% de crianças e pais já sabem burlar controles de idade. Métodos comuns incluem usar dados falsos, documentos de irmãos ou alterações faciais para enganar sistemas de reconhecimento.

Cerca de 32% dos menores admitiram ter burlado controles; em 16% houve participação direta dos pais. Outros 9% disseram apenas ignorar o problema. A prática mostra a dificuldade de transferir toda a responsabilidade às plataformas.

A ministra da Digitalização da Noruega, Karianne Tung, afirma que quem não cumprir a lei enfrentará sanções. Especialistas, porém, questionam a eficácia de leis que dependem de tecnologia fácil de contornar.

O debate global continua, com governos apontando para a necessidade de proteger crianças sem amplificar controles invasivos, buscando equilíbrio entre privacidade, segurança e liberdade digital.

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