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Grooming: de Among Us ao WhatsApp, papel das Big Techs

Grooming online avança com algoritmos opacos; estudo da ChildFund Brasil, com o ECA Digital em vigor, aponta conivência de plataformas e necessidade de regulação

De Among Us ao WhatsApp: o caminho do grooming que as Big Techs facilitam
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  • Em maio de 2026 foi publicada pela ChildFund Brasil uma pesquisa sobre violência sexual online contra crianças e adolescentes, lançada dois meses após a vigência do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025).
  • A pesquisa com oito mil quatrocentos trinta e seis jovens aponta que quarenta e um por cento relataram interações diretas com pessoas desconhecidas suspeitas na internet, mostrando o grooming.
  • O estudo descreve o percurso do abuso: começa em ambientes públicos de alta circulação, com perfis falsos e recursos como alteração de voz, migrando para plataformas de comunidade e, depois, para mensagens privadas e criptografadas.
  • Observa-se moderação de conteúdo opaca, com inteligência artificial gerando falsos positivos e negativos; há cobrança por maior transparência algorítmica e auditoria das plataformas.
  • O documento aponta maior sensação de insegurança noturna e destaca a necessidade de políticas públicas, educação digital crítica e responsabilização das plataformas para proteger crianças e adolescentes, em consonância com o ECA Digital.

Em 2026, a ChildFund Brasil publicou um mapeamento sobre violência online contra crianças e adolescentes no Brasil, lançado dois meses após a vigência do ECA Digital. O estudo analisa fatores de vulnerabilidade e dinâmicas de risco no ambiente digital, desafiando a ideia de que o problema é menor ou inexistente.

A pesquisa, com 8.436 adolescentes, aponta que 41% tiveram interações diretas com pessoas desconhecidas suspeitas na internet. O levantamento descreve o grooming como processo que começa em espaços públicos da internet, usa perfis falsos e segue para apps de mensagens privadas.

O estudo mostra que o cenário de risco aumenta no horário noturno e durante a madrugada, quando a sensação de insegurança cresce 2,26 vezes. Entrevistas com agressores revelam que o objetivo é preencher carências emocionais das vítimas, com uso de técnicas de aproximação gradual.

Os dados destacam a baixa capacidade de denúncia entre os adolescentes: apenas 6% sabem como ou onde reportar uma violência online. A pesquisa reforça a necessidade de canais institucionais ágeis para acolhimento e encaminhamento de denúncias.

O relatório analisa a atuação de plataformas digitais, apontando falhas na moderação de conteúdo e no equilíbrio entre privacidade e proteção. Alertas indicam que sistemas automatizados de moderação geram falsos positivos e não inibem padrões de assédio.

A ChildFund Brasil relaciona os resultados ao marco legal vigente, ressaltando a importância do ECA Digital, do art. 30 e do Decreto 12.880/2026, para ampliar verificações de idade e controles de privacidade em ambientes de maior exposição.

O estudo conclui que delegar a proteção infantil apenas à autorregulação das empresas é insuficiente. Propõe que o Estado, a sociedade e as plataformas atuem conjuntamente para reduzir riscos, com transparência algorítmica e auditoria de sistemas.

Em 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o tema é apresentado como prioridade. A obra destaca a necessidade de políticas públicas e ações coordenadas para enfrentar o grooming e proteger jovens no ambiente digital.

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