- Lula disse a aliados que a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é “apenas institucional” durante viagem à Bahia na sexta-feira.
- O presidente avalia reenviar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal para tentar transformar a derrota em demonstração de força política.
- A derrota de Messias teve atuação de Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco para a vaga; Lula manteve a indicação apesar da pressão.
- Depois da derrota, o clima entre Lula e Alcolumbre piorou, inclusive na posse de Kassio Nunes Marques, quando não houve entrevista entre eles.
- Além do STF, há mal-estar com operações policiais e vazamentos envolvendo senadores; apesar disso, Lula não desistiu de Messias e cogita nova ofensiva em breve.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a auxiliares que a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, hoje é apenas institucional. A fala ocorreu na Bahia, na última sexta-feira (15), durante viagem de Lula ao estado.
Segundo interlocutores, o desabafo guarda relação com a derrota na indicação de Jorge Messias ao STF. A operação contou com a influência de Alcolumbre, o que teria contribuído para o resultado negativo ao governo.
A ideia de reenviar Messias ao Senado ganhou força entre membros do núcleo político de Lula, como forma de transformar a derrota em demonstração de força. A avaliação é de que recuar agora fortaleceria Alcolumbre contra o Planalto.
A derrota expôs fragilidade na articulação política do governo, que não contabilizou votos favoráveis e nem anteviu a possibilidade de derrota. A relação entre Lula e Alcolumbre vinha desgastada desde a oficialização da escolha.
Durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do TSE, Lula e Alcolumbre sentaram-se lado a lado, sem trocar cumprimentos nem conversar, ampliando o clima de frustração entre as partes.
Além da disputa pelo STF, senadores relatam mal-estar com operações policiais e vazamentos que atingiram parlamentares. Casos envolvendo Ciro Nogueira e áudios de Flávio Bolsonaro aparecem entre as tensões.
Aliados de Alcolumbre afirmam que o Planalto ignorou sinais de insatisfação na Casa e perdeu capacidade de articulação no Senado. Mesmo assim, interlocutores de Lula dizem que o governo não desistiu de Messias.
A uma possível nova ofensiva sobre Messias, interlocutores afirmam que Lula avalia manter a indicação do AGU ao STF e buscar caminhos para viabilizá-la em breve.
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