- Apoiadores do ex-presidente Evo Morales marcharam em La Paz, ampliando protestos que já bloqueiam estradas há quase duas semanas e provocam escassez de alimentos, combustível e itens médicos.
- Autoridades dizem que caminhões ficaram retidos nas rodovias e pacientes ficaram sem acesso a hospitais; a Argentina enviou uma aeronave militar com suprimentos a pedido da Bolívia.
- O movimento começou com greves e ganhou adesão de sindicatos, mineiros, motoristas e grupos rurais, exigindo reversão de medidas de austeridade e redução do custo de vida, com pedidos de renúncia do governo.
- O governo do presidente Rodrigo Paz defende cortes de gastos e redução de subsídios aos combustíveis, prepara um pacote de reformas e mobiliza cerca de 3.500 membros das forças de segurança para desobstruir estradas; cerca de 57 pessoas foram presas.
- Morales tem apoiado os protestos, que ele descreveu como resposta às dificuldades econômicas e à perseguição política; analistas veem o movimento como antigovernamental e com risco de permanecer enquanto não houver avanços em questões econômicas.
Apoiadores do ex-presidente Evo Morales marcharam em La Paz nesta segunda-feira, ampliando protestos que já bloqueiam estradas há quase duas semanas. As ações causaram escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos no país. Autoridades indicam que os bloqueios prejudicam a logística e o atendimento de saúde. A Argentina enviou uma aeronave militar com suprimentos, a pedido da Bolívia.
Segundo autoridades, caminhões ficaram retidos nas rodovias e pacientes sem acesso a hospitais. O movimento ganhou força desde greves iniciadas no início de maio, reunindo sindicatos, mineiros, trabalhadores do transporte e grupos rurais. Analistas apontam que a pressão evoluiu para um questionamento mais generalizado sobre a gestão econômica.
O que motivou os protestos envolve medidas de austeridade e aumento do custo de vida. Professores reivindicam salários maiores e mais recursos, enquanto setores de transporte denunciam queda de abastecimento de combustível. Grupos indígenas criticam reformas agrárias, alegando beneficiar grandes proprietários.
Contexto econômico e resposta do governo
O presidente Rodrigo Paz assumiu em novembro e defende cortes de gastos e redução de subsídios a combustíveis para estabilizar as finanças públicas. Um pacote de reformas está sendo preparado para o Congresso, incluindo flexibilização gradual de controles de preços e estímulo à produção doméstica de energia.
O governo afirma que negocia com atores sociais para reduzir tensões e já informou about aumentos salariais. Cerca de 3.500 membros das forças de segurança foram mobilizados para desobstruir estradas. Autoridades indicam aproximadamente 57 detidos até o momento.
Papel de Evo Morales e cenários políticos
Moraes tem apoiado os protestos, descrevendo-os como reação às dificuldades econômicas e à perseguição política. Milhares de apoiadores se reuniram após decisão judicial que, segundo Morales, não comprovou delito. Morales nega acusações em andamento.
O caso envolve também acusações de desacato a tribunal, que Morales contesta. Em rede social, ele afirmou que a revolta continuará enquanto houver demanda por combustível, alimentos e controle de inflação.
Perspectivas de investidores e leitura econômica
Mercados mostram reação contida, com títulos bolivianos menos líquidos em geral. O prêmio de risco diminuiu em maio, atingindo patamar observado desde 2020, segundo a LSEG. Analistas alertam para riscos crescentes em um ambiente de instabilidade.
Especialistas indicam que a situação exige estabilização econômica e construção de alianças políticas para evitar desfechos mais graves. Economistas ressaltam que não existem soluções rápidas diante de um cenário de greve nacional e bloqueios prolongados.
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