- A artilharia digital do Master atingiu o ex-presidente da CVM, João Pedro Nascimento, logo após ele votar a favor de uma medida contrária aos interesses do Master.
- Influenciadores e veículos ligados ao Master passaram a atacar Nascimento; a divulgação ocorreu também na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, presidida pelo deputado Felipe Barros.
- O deputado Barros, pré-candidato ao Senado pelo Paraná, chegou a dizer que iria convocar o presidente da CVM; ele afirmou não ter conhecimento da votação da Ambipar.
- Na votação sobre a obrigatoriedade de uma Oferta Pública de Aquisição da Ambipar, Nascimento votou pela OPA, mas o resultado acabou desfavorável ao Master devido ao desempate de Otto Lobo, que assumiu a presidência interinamente.
- Nascimento renunciou ao cargo em julho, após pressão financeira e ataques nas redes, incluindo críticas de Vladimir Timerman, que o levou a registrar uma queixa criminal.
O Master utilizou a artilharia digital para pressionar autoridades e desacreditar adversários, incluindo o ex-presidente da CVM João Pedro Nascimento. A investida ocorreu após o voto de Nascimento contrário aos interesses do Master. A ofensiva partiu de influenciadores e veículos ligados ao grupo, com relação a Flávio Carneiro e Daniel Vorcaro.
A hostilidade ganhou força logo após a decisão de Nascimento sobre a obrigatoriedade de uma oferta pública de aquisição (OPA) da Ambipar. A medida poderia custar aos controladores, entre eles o Master, cerca de 3 bilhões. A CREDN, presidida por Felipe Barros, também foi alvo de conteúdo amplificado.
A atuação articulada envolveu enhanced divulgação de links e ataques nas redes, com Barros alegando intenções de convocar o presidente da CVM. Barros afirmou que jamais soube da votação da Ambipar e rejeitou ataques contra Nascimento.
Envolvidos e contexto
O deputado Felipe Barros, pré-candidato ao Senado pelo Paraná, apresentou proposta para ampliar o FGC de 250 mil para 1 milhão, o que ampliaria a captação de recursos pelo Master. A ideia ficou conhecida como “Emenda Master” e também foi apresentada no Senado por Ciro Nogueira.
Brasília também foi palco de uma nota publicada pelo PlatôBR, que sugeria vínculos familiares de Nascimento com o BTG. A reportagem, porém, não identificou impedimento legal para a votação, pois o irmão de Nascimento não ocupava cargo relevante na instituição.
Voto na Ambipar e desdobramentos
Nascimento votou, em junho, pela OPA da Ambipar, seguindo a avaliação da área técnica da CVM. A avaliação apontou indícios de conluio envolvendo o controlador Tércio Borlenghi e fundos da Trustee, ligados a Maurício Quadrado, sócio do Master, o que poderia justificar uma oferta para minoritários.
Com o voto de Nascimento, em confronto com a tendência entre os demais diretores, a decisão serviria de derrota para a Ambipar. No entanto, a pressão externa resultou em efeito inverso, evitando a OPA. Em julho, Nascimento renunciou ao cargo, após críticas e ataques, inclusive de Vladimir Timerman, que pressionava por celeridade em denúncias.
Consequências e desfecho
Em meio aos ataques, a renovação da presidência ocorreu com Otto Lobo assumindo interinamente, possivelmente para manter o desempate. A renúncia de Nascimento ocorreu dois anos antes do término do mandato. A influência de redes de apoio ao Master foi citada como fator na pressão sobre a CVM.
Além disso, Nascimento já havia votado, em maio, pela recusa de encerrar processo sancionatório envolvendo Vorcaro e o Master, mantendo investigação em curso. O caso envolve disputas entre o interesse do Master, interesses de investidores e a regulação de mercado.
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