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Caso Master: Calheiros envolve Motta em escândalo

Renan Calheiros acusa Motta de emenda para beneficiar o Master; cunhada do presidente da Câmara teria recebido 140 milhões em empréstimo não quitado

Calheiros criticou a emenda apresentada por Motta ao projeto que originou a lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Lula Marques/Agência Brasil)
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  • O senador Renan Calheiros acusa o presidente da Câmara, Hugo Motta, de ter apresentado emenda para favorecer o Banco Master, citando um empréstimo de R$ 140 milhões à cunhada de Motta que, segundo ele, não foi pago.
  • A emenda ao projeto da lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa previa que fundos de previdência destinassem ao menos 1% de reservas à aquisição de ativos ambientais, beneficiando o Master conforme Calheiros.
  • Calheiros afirmou que o pai de Daniel Vorcaro, proprietário do banco, investe em empresas de ativos ambientais, insinuando conflito de interesses ligado à emenda.
  • O senador disse ter encaminhado requerimento ao Ministério da Previdência Social para auditorias sobre operações de fundos de previdência relacionados ao Master e à exposição de recursos subnacionais.
  • A assessoria de Motta negou envolvimento do presidente no empréstimo e afirmou que a emenda decorreu de acordo partidário, com a proposta aprovada pelas duas casas e sancionada pelo presidente da República.

O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novo contorno ao atingir a Câmara dos Deputados. O senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, acusou o presidente da Casa, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, de ter apresentado uma emenda para favorecer interesses de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição falida pelo Banco Central. Além disso, aponta um empréstimo de aproximadamente R$ 140 milhões feito pela Master à cunhada de Motta, que não foi quitado.

Calheiros fez as afirmações durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na semana anterior à edição. Segundo ele, a emenda de Motta ao projeto que originou a lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa criaria um fluxo de investimentos para empresas ligadas a ativos ambientais e créditos de carbono, favorecendo o Master. Moura Vorcaro, pai do dono do banco, é citado como investidor no setor.

Lembrando que a emenda foi aprovada e sancionada, Calheiros afirmou que a cunhada de Motta recebeu valores de 140 milhões de reais do Master sob o argumento de empréstimo vencido e não quitado. O senador indicou ainda a possibilidade de outro congressista ter assinado a mesma emenda e recebido uma casa de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, de um operador do BRB, sem apresentar nomes nem provas.

Para trabalhar a questão, Calheiros informou ter encaminhado ao Ministério da Previdência Social um requerimento solicitando auditorias sobre operações e contratos de fundos de previdência estaduais e municipais ligados ao Master, direta ou indiretamente. O objetivo seria verificar a exposição de recursos a estruturas financeiras potencialmente fraudulentas.

A defesa de Motta rebateu as acusações. Em nota, a assessoria do presidente da Câmara afirmou que a emenda foi resultado de um acordo partidário e visava obrigar que parte do faturamento do setor de seguros fosse destinada à compra de créditos de carbono para financiar ações de sustentabilidade ambiental, especialmente em atividades poluidoras. A assessoria acrescentou que a proposta passou pelas duas Casas e foi sancionada pelo presidente da República, sem que Motta tenha relação com empréstimos da Master.

Sobre o empréstimo supostamente ligado ao caso, a assessoria de Motta negou envolvimento dele, afirmando que o presidente não é responsável por operações de uma empresa sem relação societária. O Correio solicitou contato com a assessoria de Calheiros, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

Contexto e próximos passos

A imprensa acompanha a evolução do caso, com fontes confirmando a abertura de investigações públicas e a análise de documentos oficiais. O tema envolve mudança de regras tributárias e ambientais, bem como a atuação de fundos de previdência vinculados a estados e municípios. A tramitação de emendas e seus impactos no setor financeiro e ambiental permanece em pauta.

Reação da Câmara e impactos políticos

A acusação de Calheiros surge em meio a controvérsias sobre o papel do Banco Master no cenário financeiro e político. Parlamentares de diferentes lados lembram que o tema requer apuração criteriosa e transparência nas relações entre empresas, fundos de previdência e agentes públicos. O registro oficial de manifestações e a reação das assessorias devem orientar os próximos passos institucionais.

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