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Justiça ordena ao governo adequar benefícios a indígenas diante de deslocamentos

Justiça ordena adaptação de benefícios para indígenas no Amazonas diante de deslocamentos forçados, com prazo até o próximo dia cinco

Indígena yanomami da região do rio Padauiri dá banho em criança na casa de apoio da Funai em Barcelos (AM), cidade que recebe mensalmente centenas de yanomamis em busca de beneficios sociais
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  • A Justiça Federal em Manaus determinou que o governo Lula adeque a concessão de benefícios sociais e previdenciários a indígenas em aldeias, sem deslocamentos até cidades, com prazo até o próximo dia 5.
  • A decisão vale para todo o Amazonas e prioriza povos de recente contato no Vale do Javari, onde o deslocamento forçado foi identificado pelo Ministério Público Federal.
  • A sentença de maio de 2025, que já existe há um ano, ainda não foi cumprida; sem medidas concretas em um mês, gestores podem responder criminalmente por agravamento dos danos às comunidades, até possibilidade de genocídio por omissão.
  • A juíza federal Jaiza Maria Fraxe pediu ao ministro Eloy Terena que traga aos autos as medidas de atendimento direto, sem deslocamento, para evitar vulnerabilidade e genocídio por omissão.
  • A reportagem questionou o Ministério dos Povos Indígenas sobre a decisão e as medidas, mas não houve resposta; o MPF e a Justiça classificam os deslocamentos como forçados, dificultando acesso a benefícios.

O Tribunal Federal em Manaus determinou que o governo Lula adeque a concessão de benefícios sociais e previdenciários à realidade de indígenas no Amazonas. A medida deve entrar em vigor até o dia 5 do próximo mês e não prever deslocamentos forçados para receber pagamentos.

A decisão surge após pedido da Procuradoria da República e ante a persistência de deslocamentos de aldeias para cidades para acesso a programas como Bolsa Família e aposentadorias. A sentença havia sido proferida em maio de 2025, mas ainda não havia sido implementada.

A Justiça aponta falhas sistêmicas na adaptação de políticas públicas às realidades geográficas e culturais, especialmente entre povos de recente contato. O Ministério dos Povos Indígenas não respondeu aos pedidos de apuração sobre o tema.

Deslocamento e impactos

Indígenas da Terra Indígena Vale do Javari e de regiões próximas costumam enfrentar longas jornadas por rios para sacar benefícios, gastos excessivos e riscos de violência. Redes de comerciantes e retenções de cartões são recorrentes nesses deslocamentos.

O MPF destaca que a exigência de presença física em áreas urbanas impede o acesso a benefícios, agravando insegurança alimentar e condições de moradia precárias. O órgão reforça que a solução passa por atendimento direto, sem deslocamento.

A juíza Jaiza Fraxe enfatiza que omissões podem configurar risco de violência permanente contra comunidades indígenas. A decisão orienta comunicar o andamento ao ministro Eloy Terena, para que haja medidas concretas de implementação de atendimento direto.

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