- Um novo mapa eleitoral no Tennessee divide a 9ª distrito, apagando parte de eleitores pretos de Memphis para favorecer vitórias republicanas.
- O mapa também transfere boa parte dos eleitores pretos de Memphis para o condado de Williamson, que tem símbolos confederados em seu emblema.
- A decisão ocorre após uma derrota judicial que enfraqueu a proteção do Voting Rights Act, com republicanos adotando mudanças rápidas na cartografia eleitoral.
- Em Mississippi, há pressão para “apagar” o distrito do único congressista negro do estado, Bennie Thompson, enquanto o governador promete avanços de agenda conservadora.
- Críticos afirmam que a reorganização eleitoral desmonta a coalizão negra criada pela legislação de direitos de voto, aumentando o risco para representantes negros no sul.
O mapa eleitoral de Tennessee, aprovado pela maioria republicana na legislatura estadual e assinado pelo governador Bill Lee, redesenhou a 9ª região, fragmentando-a em três áreas. A medida provocou a retirada de grande parte dos eleitores negros de Memphis do distrito representado por Steve Cohen, que atua há 19 anos na Câmara. Cohen afirma que a manobra silenciou o voto negro local para favorecer vitórias republicanas.
O rezoneamento ocorreu poucas semanas após uma decisão que afrouxou proteções do Voting Rights Act; cidades sulistas já vêm redesenhando distritos para reduzir a representatividade negra. Em Tennessee, a fusão de Memphis com áreas dominadas por uma população branca muda o equilíbrio político e eleitoreiro no estado.
Contexto histórico e jurídico
O redesenho se insere numa tendência nacional de alterações de contornos eleitorais que afetam a representação negra. A decisão da Suprema Corte, na esteira de Louisiana v Callais, enfraqueceu proteções do Voting Rights Act e abriu espaço para novas contestações legais sobre mapeamentos.
No Mississippi, autoridades republicanas discutem reduzir a participação de Bennie Thompson, único congressista negro do estado, afirmando a necessidade de reorganização de distritos. A medida ocorre em meio a críticas sobre o tratamento de figuras negras na política estadual e federal.
Repercussões políticas e sociais
Yvette Clarke, presidente do Congressional Black Caucus, indicou que parte dos membros corre risco no ciclo de 2028 devido aos novos mapas. A redução de distritos de maioria negra em vários estados preocupa representantes e comunidades que buscam proteção eleitoral.
Entre as ações recentes, o presidente do Tennessee House decolou uma polêmica ao retirar atribuições de comissões de membros da oposição, em meio a acusações de obstrução no plenário. Tal movimentação é vista como parte de uma estratégia para consolidar o poder conservador.
A ofensiva sobre o mapa eleitoral é acompanhada por debates sobre políticas de consumo, imigração e moradia. Líderes democratas destacam que, além do custo de vida, está em jogo a manutenção de direitos civis conquistados ao longo de décadas.
Entre na conversa da comunidade