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Quem está por trás da página que difunde ódio com IA sobre Reino Unido

Conteúdos de ódio gerados por IA, criados por empreendedores no sul da Ásia, sustentam‑se com anúncios, amplificando hostilidade a muçulmanos no Reino Unido

‘One you hone your algorithmic ragebait, there’s very good money to be made from slop.’ Photograph: Dado Ruvić/Reuters
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  • Pesquisas apontam que jovens empreendedores do Sri Lanka e do Paquistão usam ferramentas de IA para criar conteúdo odioso com fins lucrativos, alimentando mensagens contra muçulmanos e imigração no Reino Unido.
  • Esses criadores não costumam ter interesse real na política britânica, mas os vídeos e memes dobram pontos de visão extremistas, ampliando um ecossistema de “slop” comercial.
  • O modelo de monetização inclui anúncios do Meta próximos aos conteúdos de alto engajamento e pagamentos diretos aos criadores, gerando ganhos significativos para quem domina a pauta.
  • Casos específicos mostram ganhos mensais de milhares de dólares e histórias de ex-alunos que participam de cursos de monetização de audiência; a oferta de conteúdo passa a ser uma indústria de renda passiva.
  • Meta já removeu várias páginas após contatos, mas a rede de Sri Lanka, por exemplo, voltou a ficar online; a reportagem aponta que a plataforma poderia agir mais para conter esse tipo de conteúdo.

O que está por trás de páginas no Facebook que divulgam conteúdo islamofóbico e nocivo sobre o Reino Unido pode ter raízes no sul da Ásia. Pesquisas do Bureau de Jornalismo Investigativo indicam que jovens empreendedores em Sri Lanka e Paquistão usam ferramentas de IA para produzir conteúdo amplamente ofensivo e lucrativo. A motivação não costuma ser política local, mas sim capitalização de audiência no exterior.

Esses criadores operam em uma indústria de “slop” comercial, com vídeos gerando alta monetização por meio de anúncios do Meta e pagamentos diretos pela ascensão de conteúdos com grande engajamento. O perfil financeiro envolve ganhos expressivos, como rendimentos mensais significativos a partir de páginas com grande alcance, sem que haja comprovação independente de todas as cifras.

Entre as plataformas, páginas que simulam patriotismo britânico aparecem com frequência, apresentando imagens retro e narrativas que reforçam preconceitos. O material costuma amplificar temas de ódio contra muçulmanos e promovem teorias de substituição populacional, contribuindo para um clima hostil a imigrantes e à comunidade muçulmana no Reino Unido.

Para a apuração, a reportagem identificou criadores paquistaneses e um influenciador cingalês, cuja atuação atraía publicidade e faturamento por meio de conteúdos gerados com IA. Um caso é o de um paquistanês que não teve a identidade revelada por segurança; outro é Geeth Sooriyapura, da Sri Lanka, referenciado como proprietário de uma rede de cursos de monetização de conteúdo.

Segundo a investigação, a IA facilita desde o brainstorming até a criação de imagens e vídeos cativantes, acelerando a viralização. Além disso, mudanças recentes na moderação de plataformas contribuiriam para a proliferação de conteúdos de ódio, com cortes nas equipes de confiança e segurança que monitoravam esse tipo de material.

Ao responderem, plataformas como o Meta afirmaram ter removido várias páginas que violavam políticas de discurso de ódio e desinformação. No entanto, a Sri Lanka network voltou a ficar ativa após um curto período de indisponibilidade, evidenciando falhas na repressão a esse tipo de conteúdo.

A apuração ressalta que o modelo de negócios baseado em monetização de engajamento e o uso de IA criaram incentivos fortes para a produção de conteúdo prejudicial. Enquanto as plataformas enfrentam críticas por moderar menos, os conteúdos tóxicos ganham espaço rápido no ecossistema digital.

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