- Pela primeira vez desde a Segunda Guerra, o congresso anual dos alemães dos Sudetos será realizado em Brno, República Tcheca, de 22 a 25 de maio, dentro do festival Meeting Brno.
- O encontro, que antes ocorria na Alemanha ou na Áustria, abriu controvérsia na cidade e provocou protestos locais.
- A Câmara dos Deputados tcheca aprovou uma moção simbólica contra o que chamou de revisionismo histórico ligado ao evento, em sessão com 73 votos a favor, zero contra e quatro abstenções.
- O Meeting Brno, organizador do festival, defende a reconciliação e diz que a associação dos Sudeten alemals não busca reparações, mas discutir o passado de forma honesta.
- A reunião contará com forte esquema de segurança; autoridades alemãs e o presidente tcheco apoiam o festival como forma de diálogo histórico.
Pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra, descendentes de alemães expulsos dos Sudetos planejam realizar seu congresso anual em solo da República Tcheca. O encontro, organizado pelos Sudetos, acontecerá em Brno de 22 a 25 de maio, integrado ao festival Meeting Brno.
O evento reúne alemães étnicos expulsos da então Checoslováquia e descendentes, com histórico de tensão entre comunidades. A escolha de Brno, cidade central da Morávia, reacende debates sobre memória histórica e reconciliação na região.
A decisão de sediar o congresso na República Tcheca provocou reação política e críticas à prática. Parlamentares tchecos alertaram para o que chamam de revisionismo histórico e relativização de crimes nazistas.
Reação política e contexto histórico
A Câmara dos Deputados aprovou, por 73 a 0, com quatro abstenções, uma moção simbólica contra o evento. A oposição de centro-direita acusou a coalizão governista de explorar o tema para fins políticos.
O premier Andrej Babiš declarou que o encontro em Brno não é um desenvolvimento feliz, após ter descrito a iniciativa como neutra. A posição oficial do governo passa a acompanhar os desdobramentos do festival.
Protestos na cidade acompanharam a controvérsia. Em abril, cerca de 500 pessoas participaram de uma manifestação organizada pelo SPD, que se opõe ao encontro e acusa organizações sudetas de tentar reverter decretos Beneš.
Organização e perspectivas
Bernd Posselt, presidente da Associação dos Alemães dos Sudetos, sustenta que a entidade não busca mais contestar a ordem do pós-guerra e descreve o congresso como parte de esforços de reconciliação. Posselt afirmou à DW que o objetivo é discutir o passado de forma honesta.
O Meeting Brno, organizador do festival, enfatizou que o evento ocorrerá conforme planejado. A iniciativa visa promover o diálogo entre tchecos e alemães de Sudetes, com foco no passado e na convivência.
O festival já promove a Marcha da Paz, Convivência e Reconciliação, reconstituindo simbolicamente o trajeto da expulsão de Brno em 1945. A prefeitura de Brno já enfrentou críticas sobre pedidos de desculpa anteriores pelo episódio.
Contexto histórico e participação
Entre 1935 e 1938, parte expressiva dos Sudetos apoiou medidas pró-nazistas, contribuindo para tensões que antecederam a Guerra. Cerca de 3 milhões de alemães étnicos foram expulsos da então Tchecoslováquia após o conflito.
Detentores do legado histórico lembram que a convivência entre comunidades perdurou por séculos, apesar dos crimes cometidos pelo regime nazista. O evento é visto por apoiadores como oportunidade de diálogo e aprendizado mútuo.
Contorno institucional
O presidente tcheco, Petr Pavel, colocou o Meeting Brno sob seus auspícios, mantendo o apoio institucional ao festival. Autoridades locais continuam divididas entre a preservação da memória e a pressão por uma leitura crítica do passado.
O encontro está programado para ocorrer no Centro de Exposições de Brno, com esquema de segurança reforçado. A participação de autoridades alemãs, incluindo o ministro do Interior, é aguardada.
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